Arquitetura do Medo

Minha próxima coluna para a Época é sobre arquitetura. Mais exatamente sobre Oscar Niemeyer. Deixo bem claro que sou um leigo no assunto. E deixo bem claro também que você não precisa ser nenhum expert para se sentir mal num cenário de pesadelo como o Memorial da América Latina. Começando por essa sinistra mão acima que recebe seus visitantes.

Deixo claro na coluna que respeito Niemeyer como respeito qualquer senhor que chega à sua idade. Mas que não me peçam para fazer parte de nenhuma "unanimidade nacional". Sai na edição do próximo sábado.

Comentários

Silvia disse…
Eu tenho uma sensação ruim quando eu vejo essa mão manchada! Acho a área toda desértica, estéril. Será que isso significa que eu não entendo de "arte"? Qual o problema de Niemeyer em relação ao verde? Por que só concreto?
É um contraponto a criação de Deus?
Preciso ler sua coluna, quem sabe eu entenda um pouco mais.
Eu não estou sozinho! Achava que era só eu que via o "sangue" escorrendo nessa mão. Não gosto de muitas das coisas que o Niemeyer projetou. A catedral de Brasília é estranha, assim como a igreja da Pampulha, por exemplo. Por outro lado, gosto do Congresso Nacional e do Copan.
Marcio disse…
Li sua coluna e vc não poderia ter dito em melhores palavras o que penso

Entendo do assunto porque faço o quinto período de arquitetura na UFPB

E no curso ele não é nem um pouco idolatrado exatamente pelo graves erros que comete

Tratando muito do visual e se esquivando da funcionalidade e conforto
Anônimo disse…
Nao sei porque continuamos pagando as obras deste senhor, so constroi para o estado.
Aqui em Belem tem uma mao que lembra esta de Sao Paulo, acho a Catedral de Brasilia uma droga , parece uma coroa do rei Momo, voce entra naquele predio frio sem nada que lembre um lugar de oracao e de meditacao.
Ate quando ainda vamos financiar este senhor.
Caro Dagomir.
Eu pensava que era só eu que não gostava das arquiteturas(se são arquiteturas)de Oscar Niemeyer.
Voce escreveu o que eu via e sentia.
Parabéns, suas colunas são as nossas palavras.
Adriano Facioli disse…
Gosto muito do que você escreve na Época, Dagomir. Começarei agora a freqüentar também o blog. Lembro bem, gostei muito de um artigo sobre clichês em telenovelas. E agora este, sobre a aridez, a falta de vida, a secura, o desprezo pelo humano, de carne de osso, na obra de Niemeyer. Muito boas metáforas e jogos de palavras para traduzir o que sentimos ao freqüentar ou habitar sua arquitetura inóspita. Um grande abraço.
Josias disse…
Dagomir, você expressou exatamente o que eu sinto acerca das obras de Niemeyer há muito tempo.
Muitas vezes pensei que a razão seria seu comunismo cego e inconsequente, mas agora vejo que não é sòmente isso.
Parabéns pela coragem de nadar contra a corrente.
Aldo disse…
Como assinante da revista Època, portanto seu leitor, gostaria de dizer que concordo em gênero, número e gráu com tudo que foi escrito em sua coluna a respeito do sr Oscar Niemeyer. Devo acrescentar que o referido senhor destruiu a principal praça do centro da cidade de Duque de Caxias-RJ, na Baixada Fluminense. Todas as árvores foram derrubadas, os bancos foram retirados, um monumento a Caxias, o Pacificado removido e foram construídas no lugar duas enormes caixas da concreto medindo 20x40m por 7m de altura mais ou menos, onde instalaram um teatro e uma biblioteca. As obras foram úteis, mas com tantos terrenos disponíveis, precisavam acabar com a praça?
Anônimo disse…
Gostaria de me solidarizar, com sua opinião, expressa através da coluna intitulada “Oscar Niemeyer, o rei do cimento", na revista Época.

Eu admiro da obra do Niemeyer, mas não entendo por qual razão ele insiste em abrir mão de conceitos como energia solar e paisagismo, principalmente em Brasília onde o sol é abundante e a sombra, escassa. Também não consigo compreender porque seus maiores defensores não admitem a crítica.

É importante comemorarmos mais um ano na vida de um notório brasileiro, mas o contra-ponto é indispensável, como a luz na escuridão.

Aliás, o governo brasileiro deveria aproveitar a saúde do arquiteto para conseguir ainda em vida , o direito de adaptar seus projetos.

Parabéns pela crítica, porque a dialética do esclarescimento é a resposta do pensamento filosófico ao obscurantismo da humanidade.


George Vidal Schpatoff
batista disse…
Batista,

Caro Dagomir,

Quanto a gosto pelas suas obras tenho agradecer pela sua franqueza,pois pagamos por todas suas obras em nosso Pais,mas infelismente temos poucas pessoas com a capacidade de questionar e acabamos acabamos nos conformando.

Jose batista de sousa

josebatista.sousa@yahoo.com.br
Raul Blum disse…
A franqueza de seu comentário é notória. Como pode-se aceitar e pagar por obras que agridem a natureza num momento que tanto precisamos dela? E aquela imesa sala no Memorial da América Latina, que tem tanta reverberação que nem se pode utilizá-la para uma reunião, para que serve? Além disso, como pode alguém desprezar o capitalismo e viver às custas dele?
Dagomir Marquezi disse…
Uma lista de comentários assim mostra um fato - o Brasil está cheio de ídolos sustentados por aduladores. Não preciso nem citar outros nomes de artistas de cabeça enferrujada, anti-capitalistas cheios de dinheiro que apóiam abertamente algumas das piores ditaduras do mundo. Apesar deles, amanhã há de ser outro dia.

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