Meu "parceiro" Zé Rodrix


Em 1992 eu trabalhei na campanha de Fábio Feldman para prefeito de São Paulo.  Era uma campanha sem nenhuma chance de vitória. Mas teve sua importância por ser a primeira de um candidato ambientalista ao cargo. 

Fui para a campanha cheio de idéias criativas e revolucionárias. O candidato me dava todo apoio,e pedia ainda mais audácia. Mas logo me toquei de que a máquina partidária tucana não era muito simpática a atitudes ousadas. Do meu ponto de vista, a campanha ficou marcada por um jingle: o Rap do Fábio, que fez sucesso em comícios e na campanha de rádio. Eu escrevi a letra e a música foi composta por Zé Rodrix, de quem eu já era grande admirador.  Foi minha parceria com um grande nome da MPB! Pena que a gravação do Rap do Fábio tenha sumido. 

Pena também que o Zé Rodrix tenha partido tão cedo.  61 anos parece muito pouco para quem tinha tanta alegria de viver. Nunca vi esse homem (pessoalmente ou na TV) com cara séria. Aliás, só uma vez. Eu jantava com o humor azedo no restaurante Ponto Chic, aqui em São Paulo. Estava naqueles dias em que não queri falar com ninguém, apenas devorar meu prato lendo uma pilha de revistas atrasadas.

Naquela noite, o Zé Rodrix apareceu e se sentou na minha mesa. Ele curou meu mau humor. Rimos muito daqueles tempos da campanha do Feldmann. E eu vi o Zé muito sério e revoltado com a marcha acelerada do Brasil rumo ao pântano do neo-populismo. Ali estava um homem gentil, sem pose, antenado com as maravilhas do século 21 e cansado do atraso que o cercava. Jantamos e nos despedimos nos prometendo um novo encontro. Continua valendo, Zé.

Comentários

jo fevereiro disse…
Não sabia dessa parceria, Dagô.
Eu também sempre admirei o trabalho dele e concordo com você... foi cedo demais.

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