A vida sem carro


Hoje eu tive uma reunião com meu amigo Fabio Feldmann, o homem que criou o capítulo de Meio Ambiente na Constituição de 1988. A uma certa altura ele falou que estava lendo um livro sobre a escravidão no Brasil. E como as pessoas da época achavam que a vida no Brasil seria impossível sem os escravos. Aí falamos de carros. Será que um dia eles farão parte do passado? Como fumar cigarro, ou ler jornais de papel? Eu tenho essa sensação. Não de um ponto de vista extremista. Os carros particulares continuarão existindo, claro, terão sua utilidade. O que eu não entendo é uma pessoa num dia de chuva, na hora do rush, andar de carro pela avenida Paulista. Eu fui até em casa num carro de metrô vazio às 18 horas. E todos os dias ouço no rádio que o trânsito está terrível, um inferno, etc. Isso tem lógica?

Comentários

Por mais de dez anos dispensei o carro para ir trabalhar. Usei, pela ordem, ônibus intermunicipal, metrô, ônibus, metrô de novo, ônibus/a pé/carona, ônibus e, finalmente, a pé, como fiz todos os dias depois que entrei no meu emprego atual. Quer dizer, até meu filho começar a frequentar sua escolinha, que fica do outro lado da cidade (e tem de ser essa; ela é das tias da minha mulher). Então, desde outubro tenho feito a seguinte rotina: carro até a Lapa, deixo o Willi na escola, deixo o carro num estacionamento ao lado (50% do preço do Centro, 1/3 do preço da Paulista), pego o trem da linha 7 na estação Lapa (lotadíssimo), sigo até a Barra Funda, pego o metrô e desço no Centro, seguindo a pé os três quarteirões que separam a saída da estação do meu escritório. No fim da tarde, a mesma rotina, mas, ao contrário da manhã, com trânsito. Menos do que eu esperava, é verdade, a não ser por raras exceções — como a escola está de férias, faz mais de um mês que não faço esse roteio, por isso não peguei o grosso dos dias de chuva. Mas, se eu pudesse escolhar, seguiria usando meios de transporte alternativos.
Rosana Mauro disse…
Sempre que olho dentro de um carro, no horário de pico, vejo uma única pessoa. Vários carros circulando com o motorista apenas. Acho que se cada pessoa desse carona para outras 4, o trânsito aliviria um pouquinho e o meio ambiente agradeceria.
PS: Muito legal o seu blog. Abraço.
Dagomir Marquezi disse…
A vida sem carro não é nada fácil, e eu sei disso Alexandre. É por isso que eu acho que o brasileiro - e o paulistano mais do que todos - tem que colocar transporte coletivo de uma maneira ousada e agressiva para os futuros governantes. E, cá entre nós, ônibus não refresca muito. São perigosos, desconfortáveis e estão presos no congestionamento como qualquer carro particular. Precisamos de Metrô, trens urbanos e monotrilhos.
A minha vida sem carro sempre foi tranquila, especialmente quando o trecho era feito a pé. Os inconvenientes da espera no ponto/estação geralmente eram menores do que o aborrecimento que eu teria se estivesse atrás do volante. Muito provavelmente na maioria das vezes o tempotambém seria menos de transporte público. É bem verdade que os trens lotadíssimos que tenho pegado na linha 7, especialmente de manhã, são um inconveniente; não entendo como podem manter intervalos de mais de dez minutos em plena hora do rush. Mas ainda assim é melhor, mais barato e mais rapido que se eu não deixasse o carro na escola do meu filho e seguisse de carro até o escritório, tendo de fazer o mesmo percurso no final da tarde. É que meu filho ainda é pequeno demais (1 ano e 4 meses) para eu levar de trem até a escolinha, senão eu continuaria a deixar o carro na garagem durante os dias úteis. E, quando ele for maior, certamente uma rede mais extensa de metrô (e trens urbanos e monotrilhos) será muito bem-vinda, pois ir da Bela Vista à Lapa ainda exige um traçado mais extenso do que deveria.
Dagomir Marquezi disse…
Obrigado pela gentileza, Rosana!

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