Luís Sérgio Borgneth (1950-2011)

Foto: Liana John

Conheci o Borgneth no primeiro ano de Jornalismo da FAAP. Ele era o surfista carioca, de sandália, alienadão. Eu era o comunista doutrinador querendo conquistar mais gente para a "causa". Contra todas as possibilidades, viramos grandes amigos. Um dia consegui emprego na redação do jornal de publicidade Meio & Mensagem. Eu desisti e passei o cargo para ele. Ele ficou e chegou a vice-presidente da empresa.


Vivemos anos ricos e selvagens na faculdade. Era um tempo meio sem limites, onde tudo era exagerado e vivido com intensidade. Passamos por greves estudantis, festas alucinadas, paixões pelas mesmas mulheres. Com o tempo nos separamos em nossas vidas e nossas crenças. Tive a chance de uma última conversa no bar que ele freqüentava todos os dias. Desperdicei essa chance, e hoje isso me dói. O Borgneth, flamenguista fanático, grande conquistador, pai amoroso, partiu nesta madrugada. Deixou três filhos e uma lembrança que nunca vai se apagar.

Comentários

Marli Gonçalves disse…
Ah, Dagô! Quanta tristeza me deu. Saber da morte do Serginho acendeu mais uma vez aquela luz que a gente tenta não ver. Lembrei de nós todos, do D.A, do BuimBoin, das nossas greves contra o JACK IN THE BOX, a luta pelas baleias, contra a censura, contra o CCC...Caramba. Devo a vocês tantas coisas! Que o Serginho encontre a paz que parece que perdeu nos últimos anos, por causa da saúde. Beijão da amiga véia, Marli Gonçalves
Anônimo disse…
aqui é a Marina Borgneth, filha desse heroi. Todos estamos arrasados... mais meu irmão prometeu ao meu pai que cuidaria de mim. então, estou bem. um grande beijo,
Marina.
errata: ele nasceu em 1950.
Dagomir Marquezi disse…
Marli: obrigado por lembrar desses detalhes todos.
Dagomir Marquezi disse…
Marina: se o seu irmão prometeu cuidar de você, vai cuidar. Senti muita firmeza nele. Vou corrigir a data. E vocês, filhos, contem com os amigos do seu pai. To falando sério!

beijo

d
Diva Marquezi disse…
Marli:
Pode contar mesmo com os amigos do papai, viu? Força, coragem, juro que com o tempo a dor melhora.
Bj
Gabriela disse…
NOSSA,FALAR DESSA PESSOA É DIFÍCIL. TRABALHEI E CONVEVI COM ESSA FAMÍLIA MUITOS ANOS. JULIO MARINA E LIVIA ,FORÇAS,NÃO DESANIME,ELE ERA UMA PESSOA MARAVILHOSA.
LUTO PELA FAMILIA BORGNETH
ADEUS SERGIO
cynthia disse…
A dupla Sergio e Dagô, por mais improvável que fosse, foi definitiva na Faap, no jornalismo, na minha vida. Dois grandes amores, que permanecem, e que a saída de cena do Sergio não muda, apenas cristaliza. O que eu tenho a dizer para o meu querido amigo é obrigada, do fundo do coração, por ter me pedido carona no nosso primeiro dia de aula.
cynthia disse…
A dupla Sergio e Dagô, por mais improvável que fosse, foi definitiva na Faap, no jornalismo, na minha vida. Dois grandes amores, que permanecem, e que a saída de cena do Sergio não muda, apenas cristaliza. O que eu tenho a dizer para o meu querido amigo é obrigada, do fundo do coração, por ter me pedido carona no nosso primeiro dia de aula.
Meus sentimentos aos amigos e família.
Pipoca
Carles Marti disse…
Tinha dezoito anos quando, na faculdade, conheci dois rapazes um pouco mais velhos, que seriam definitivos na correção da minha forma de ver as coisas. Com eles, aprendi a transformar a raiva canina em ironia, em caricatura, em personagens. O jeitão de irmão mais velho do Dagô sempre me fez mais próximo deste, mas o destino e uma daquelas paródias juvenis sorteou-nos a mim e ao Luis Sérgio para que passássemos todo um dia juntos no Dops, sermão incluído. Isso, de alguma forma, nos aproximou. Depois disso, vimo-nos algumas vezes, graças ao meu trabalho em publicidade. A última vez que o vi, faz uns dezesseis anos, foi justamente num bar, nas Perdizes. Ao nos despedirmos, a inconfundível voz vinda da garganta e aquele carioca “r” aspirado no meu nome:
-Té mais, Martí.
-Té mais, Borgneth.
Dagomir Marquezi disse…
Marti: emocionante esse seu testemunho. Tenho orgulho de ter mantido amigos como você.
Blog do Veludo disse…
O Sérgio Borgneth faz parte daqueles amigos que nos chegam por outros amigos. A Magrinha e o Peti me colocaram em contato com ele e a gente aprendeu a conviver nas festas, nos encontros das tchurmas dos anos 80. Sempre tive por ele respeito e admiração pela carreira no Meio & Mensagem. Como tínhamos filho da mesma idade, um dia eu o convidei para uma festa do meu caçula. Me lembro que ele não pôde ir, mas passou em casa e deixou um longo bilhete explicando porquê não iria. A partir daí, sempre chamava a gente pras festinhas do Júlio. Eu tenho esse bilhete ainda em algum canto dos meus infindos guardados. Borgneth foi um lutador, um homem do nosso tempo, um jornalista, um olhar crítico para o mundo.Passou pro outro lado do rio mas, certamente, estará nos observando de lá na companhia dos bons repórteres.
Veludo Amando de Barros //sp 9 fev 2011
Blog do Veludo disse…
O Sérgio Borgneth faz parte daqueles amigos que nos chegam por outros amigos. A Magrinha e o Peti me colocaram em contato com ele e a gente aprendeu a conviver nas festas, nos encontros das tchurmas dos anos 80. Sempre tive por ele respeito e admiração pela carreira no Meio & Mensagem. Como tínhamos filho da mesma idade, um dia eu o convidei para uma festa do meu caçula. Me lembro que ele não pôde ir, mas passou em casa e deixou um longo bilhete explicando porquê não iria. A partir daí, sempre chamava a gente pras festinhas do Júlio. Eu tenho esse bilhete ainda em algum canto dos meus infindos guardados. Borgneth foi um lutador, um homem do nosso tempo, um jornalista, um olhar crítico para o mundo.Passou pro outro lado do rio mas, certamente, estará nos observando de lá na companhia dos bons repórteres.
Veludo Amando de Barros //sp 9 fev 2011
Bizuka disse…
Gosto de lembrar do nosso primeiro trabalho em grupo na FAAP, Dagô, eu, Sérgio, Cynthia e a Angela Rodrigues Alves, que nunca mais vimos. Era sobre ruído na comunicação, fizemos uma peça que tinha que ser repetida várias vezes, fomos emprestar uma maca no estádio do Pacaembu, o Sérgio era o doente, ficou bom.
Depois disso nos tornamos amigos pra sempre.
Dagomir Marquezi disse…
Meu primeiro contato com o Borgneth foi assim: ele estava fumando na classe, foi jogar o cigarro pela janela (assim era 1975!), o cigarro caiu na cortina e começou a pegar fogo, logo dominado. O professor deu uma bronca no Borgneth, disse que aquele era um caso para mandar para a diretoria, mas que ele ia dar uma chance. Eu então cochichei para o futuro companheiro revolucionário: "Se alguém tocar em você a gente bota fogo na faculdade inteira!"
carlos borgneth disse…
Obrigado a todos por fazer aumentar ainda mais o orgulho que eu sempre tive de ter o Islu (como eu o chamava) como irmão. Abraços, Carlos Alberto Borgneth.
BLOG disse…
Sergio Borgneth que a Luz Divina esteja com toda a sua Família! E Obrigado por sua luta! Acompanhamos o compartilhamento com Meio & Mensagem a distância!
Marli Gonçalves disse…
Amigos, lindos filhotes do Sérgio, e todos os demais...

Bizuka! Cintia! Dagô! Veludo!Liana!Marti! Pipoca!

Que bom saber dessa corrente de energia positiva!beijão para vocês todos.
Osmar Mendes Junior disse…
Comove!
Dagomir Marquezi disse…
Obrigado a todos que escreveram seus comentários aqui. É uma maneira de criar um "memorial" a quem se foi...
Teresa Ribeiro disse…
'Ah, você fazia parte da turma dos brilhantes da Faap?' perguntou-me certa vez um ex-professor, nem me lembro qual. 'Nunca houve uma turma como aquela', emendou. Você, Dagô, e o Sérgio foram líderes daquela turma que se espalhou por aí liderando outras... Tomara que a lembrança e a saudade do Borneth recomponha essa rede! beijos, Teresa

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