RIP Prince Rogers Nelson (1958-2016)


Conheci a música de Prince logo no início de sua carreira, ainda nos anos 1980, graças ao meu amigo Rogério Naccache. Reconhecemos no baixinho a marca do gênio. Um cara que grava seu primeiro disco tocando todos os instrumentos, compondo todas as músicas e fazendo todos os vocais aos 17 anos não é qualquer um.

Na verdade esse primeiro disco (For You) foi um dos seus piores. Depois tudo melhorou. Prince mostrou ser o maior gênio do funk depois de James Brown. Fazia tudo muito bem: rock, pop, música eletrônica, baladas tristes, jazz. Qualquer coisa. Para a maioria das pessoas vai ser lembrado como o cara que fez o filme Purple Rain. Era muito, muito mais do que isso. Inclusive um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Este solo em While my Guitar Gently Weeps (de George Harrison) é um bom exemplo disso:


Prince era também um excelente produtor, cuidando de artistas talentosos como The Time, Sheila E, e tantos outros. Recusou-se a mudar para a meca da industria musical, Los Angeles e construiu um complexo artístico em sua cidade natal, Minneapolis - onde faleceu. Ele não subia no palco simplesmente. Seguindo a linha de seu ídolo James Brown, ele entregava sua alma à platéia. Cantava, tocava, dançava, transformava o momento numa celebração da vida. Deixava sua timidez de lado e incendiava o mundo ao seu redor com o fogo do verdadeiro funk:


Sou grato a Prince por muitas coisas. Pelo exemplo de artista que ele foi, pelo senso de liberdade, pelo exemplo de ética profissional, por cada segundo de música que me fez sentir mais vivo em minhas caminhadas dançando nas ruas de São Paulo com os fones nos ouvidos. E sou grato por Prince ter me dado a ideia de que é possível aproveitar radicalmente os prazeres da vida e ser religioso ao mesmo tempo. Prince foi um cara que juntou dance music com o Pai Nosso em Controversy (a partir do minuto 3:25). Acho que é assim que ele gostaria que rezassem por sua alma iluminada:

Comentários

show de bola o solo de guitarra...que,no final, ele atira pra cima e... onde foi parar?
Que linda homenagem Dago. Assim como voce, eu também escutei e curti muito este artista, que por sinal, completo. Parabéns pela matéria. Grande abraço.

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