Tratamento de canal

Eu insisto em ver a novela das nove da Globo como uma forma de manter os pés no chão em matéria de cultura brasileira. É o melhor referencial nesse sentido. Ainda outro dia elogiei na revista Época a coragem e originalidade de Aguinaldo Silva em Duas Caras

Assistir a atual A Favorita está difícil.  É uma novela agradável como um tratamento de canal. Tudo nela me incomoda.  Não vou entrar em detalhes, mas existe um fator que não só irrita como me revolta. A novela é passada em dois cenários: São Paulo (capital) e uma cidade do interior (de São Paulo) chamada Triunfo. 

Pois 85 por cento do elenco fala com carregadíssimo sotaque carioca. (O "cantor sertanejo" é carioca!) Se a novela fosse passada no Rio de Janeiro e 85 por cento do elenco falasse com sotaque paulistano eu ficaria igualmente indignado.  

Tenho certeza que se A Favorita fosse passada no Rio Grande do Sul, na Bahia ou em qualquer outro estado do nordeste haveria revolta pública se o elenco falasse em "carioquês".  É falta de respeito e falta de profissionalismo numa emissora que atingiu altíssimo grau de qualidade em quase todos os estágios de produção. Mas nesse detalhe do sotaque ela falha feio. E ofende. 

Comentários

Concordo plenamente. E o caso é que isso é mais comum do que a maioria das pessoas pensa. Exemplo? Eu moro no Maranhão, apesar de ser brasiliense. E aquela novela, "Da cor do pecado", que teve parte gravada por aqui, tinha um elenco muito respeitável. No entanto, o sotaque dos atores que interpretaram maranhenses foi sofrível! Eu entendo que se uma novela vai se ambientar em Sampa, como no exemplo que você deu, os atores devem, no mínimo, se preparar para tal empreitada e não ter um sotaque carioca em tudo. Dá a entender que todos falam assim no Brasil. O que me leva a crer que a Globo talvez queira assim, dado que é esse o sotaque exportado pelas novelas brasileiras mundo afora.
Central Animal disse…
Pois é, Leonardo. Pior ainda quando são filmes dublados em alguns estúdios do Rio. Aí você vê gladiadores, alienígenas, vikings, e todos falam como se estivessem na Barra da Tijuca.

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