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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Planeta Carnaval

Minha próxima coluna para a Época foi escrita por encomenda (da redação). Eu falo de carnaval. Não gosto de carnaval. A coluna é assim mesmo - alguém que não se interessa por essa festa que semi-paralisa o país por dois meses. Comento sobre os samba-enredos do carnaval do Rio este ano. É um universo distante, meio bizarro para alguém como eu. Antes eu me achava meio solitário nessa estranheza. Hoje acho que faço parte da maioria.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Meu filme # 1831: Paranoid Park

Depois de um longo período assistindo filmes antigos no DVD (eu precisava preencher um pouco minha lacuna de filmes pré-1960), voltei a frequentar cinema. E não tenho me decepcionado.

A onda começou com um belo filme romântico (PS: I Love You, escrito e dirigido pelo mestre Richard LaGravanese). Depois veio uma boa (e deprimente) fantasia futurista, I Am Legend. E seguiu com o excelente O Gangster, dirigido pelo quase sempre infalível Ridley Scott.

Depois do "cinemão Hollywood" ontem foi a vez de um filme completamente alternativo - Paranoid Park, escrito, dirigido e editado por Gus Van Sant. É a história de um garoto de Portland, Oregon, que acidentalmente se envolve na morte de um desconhecido. O filme é todo centrado na "comunidade" local de skatistas.

A história interessa menos do que retrato da adolescência numa cidade pequena, sem perspectivas. Gus Van Sant fez um filme lento, barato ao extremo, que prende o espectador ao nos colocar na melancólica cabeça do garoto Alex. O elenco é completamente desconhecido e as cenas não têm nada da excitação do skate que vemos em documentários e canais esportivos. É um filme sobre almas solitárias sobre quatro rodinhas.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Aguinaldo Silva comenta minha coluna

Aguinaldo Silva além de escrever a novela Duas Caras, mantém um animado blog onde comenta a própria obra. Antenado como seu Juvenal, ele leu a coluna sobre ele que escrevi para a revista Época. E comentou a minha coluna no seu blog. Segundo ele, seu próximo post vai aprofundar o comentário.

Estou reproduzindo abaixo não só a coluna da Época como os comentários do Aguinaldo. Ficou um post meio longo, mas acho que vale a pena.

Escrito por Aguinaldo Silva em:22/1/2008

VIVER É MUITO ARRISCADO, Ô ZÉ RUELAS!

Sob o título de “a grande ousadia de Aguinaldo Silva” o jornalista Dagomir Marquezzi publicou uma critica sobre DUAS CARAS na revista Época. Peço licença a ele para reproduzir aqui o seu artigo, não porque seja favorável à novela, mas sim porque no meu próximo post acrescentarei algumas informações ao que Dagomir Marquezzi escreve.

Aí vai:


Epa, epa, epa, epa! Muita calma nessa hora! Justamente Duas Caras está sendo uma agradável surpresa. Quando eu soube que o centro dramático da novela estaria numa favela, previ o pior. Temi falsidade ideológica, no pior sentido da expressão.

Só que o povo criado por Aguinaldo Silva não parece uma categoria sociológica. Parece gente. Tudo bem, a Portelinha é uma fantasia utópica criada nos estúdios do Projac. Mas consegue ter cheiro de realidade.

Na Portelinha tem pobre bom e pobre ruim. Pobre ambicioso e pobre acomodado. Pobre batalhador e pobre vagabundo. Pobre estudioso e pobre ignorante. Pobre fino e pobre cafajeste. Assim é o povo real, diversificado, como os ricos e os remediados.

A favela de Duas Caras é alegre, colorida e simples. Ninguém fala de política, ninguém culpa “o sistema”. Os “idealistas” são garotos da classe A implorando uma chance de filmar a favela para limpar suas consciências.

Duas Caras começou mal (40 no Ibope) e caiu ainda mais. Hoje navega alguns pontos acima dos 40. Não é um “estouro” como outras obras do autor. E isso só valoriza a coragem de Aguinaldo Silva.

Aqui estão seis razões para cumprimentar o autor:

1) Aguinaldo Silva emplaca Lázaro Ramos como o primeiro galã negro nos quase 45 anos de telenovela brasileira. Negão e favelado. Não entrou no elenco via cota racial. Entrou porque, antes de ser negro, interpreta um bem construído personagem.

2) O maniqueísmo não tem moleza em Duas Caras. Começando pelo personagem central, o irresistível Juvenal Antena, com seus planos ditatoriais. Tem até deputado honesto. O mais bonzinho tem um lado obscuro.

3) Mesmo no terreno do romance, Aguinaldo Silva está sendo ousado. Não é à toa que os primeiros capítulos da novela focaram tanto a história de Maria Paula e Adalberto. Ali está um casal realmente pervertido: a angelical heroína é perdidamente apaixonada pelo homem que destruiu sua vida.

4) Nunca a realidade da universidade brasileira foi mostrada de forma tão sincera, com sua parcela de professores parasitas resistindo às reformas modernizantes do reitor Macieira. Nunca nenhuma obra de ficção antes no Brasil retratou o “movimento estudantil” como ele costuma ser: autoritário, reacionário, bitolado.

5) Ele não só baniu a Igreja Católica da Portelinha. Aguinaldo ainda cometeu a ousadia de apresentar a igreja evangélica com simpatia. Foi além – mostrou uma bela convivência entre evangélicos e a ala afro da favela.

6) Aguinaldo Silva foi o primeiro autor a se comunicar diretamente com seu público. Além de enfrentar a barra-pesada de escrever a novela, ele a comenta no blog e dá uma lida nos comentários que chegam às centenas. Essa é uma nova realidade para os escritores do século XXI. É irônico este Brasil de 2008. Nossa obra mais alternativa acabou sendo a novela das 8.


Eu escrevi lá em cima que no meu próximo post ia acrescentar algumas informações ao artigo de Dagomir Marquezzi. Mas a informação mais importante eu já antecipo. Recordista de audiência eu já sou seus Zé Ruelas, pois “Senhora do Destino”, quatro novelas depois, continua imbatível com seus 50.5.

Em DUAS CARAS, em vez de Ibope, o que eu queria era dar a minha contribuição para a renovação do gênero. Essa era uma aposta de alto risco, da qual não desisti nem mesmo nos momentos de maior crise... E o resultado é o que todos vocês estão vendo.

DUAS CARAS não é melhor nem pior que as outras novelas... Mas é diferente. E isso pra mim é o que vale a pena.

A.S.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Comentários à parte

A partir de agora vou responder aos comentários no próprio comentário, sempre que der. Essa falta de uma solução para dar resposta aos gentis leitores que me escrevem sempre me incomodou. Peço desculpas por não ter encontrado uma solução antes...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Morto-Vivo: CCP

Minha próxima coluna Mortos-Vivos para a revista Placar conta a história do número 7 Cláudio Christovam de Pinho. Ele conseguiu deixar profundas marcas em dois times rivais de São Paulo. Foi o primeiro jogador a marcar um gol pela Sociedade Esportiva Palmeiras, depois que o clube teve que mudar o nome Palestra Itália em 1942. O jogo foi contra o São Paulo. Mas Cláudio Christovam marcou presença mesmo no Corinthians, onde se tornou o maior artilheiro da história do time.

A coluna sai na Placar de fevereiro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

No Reino da Portelinha

No último dia 4 eu escrevi um post meio entusiasmado com os rumos da novela Duas Caras. Resolvi esticar esse post para a próxima coluna da Época. Citei 7 razões para cumprimentar seu autor.

O que eu admiro no trabalho de Aguinaldo Silva é sua coragem em produzir uma ficção cheia de posições políticas, sociais e raciais ousadas, raras de se encontrar no Brasil. Mas não é só por isso que eu acompanho Duas Caras. Ela me diverte. Torço para que acabe bem.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Celacanto provoca maremoto

Sabe aquela história de ver "sua vida passando em frente aos seus olhos"? É o que tem acontecido cada vez que eu pego uma velha fita VHS e a copio em DVD. Estou agora gravando o lendário National Kid Contra os Seres Abissais. Seu primeiro episódio marcou a ferro a memória de toda uma geração que era criança no começo dos anos 1960.

Nesta série, os pequenos agentes secretos se envolvem com pesquisas submarinas. No museu biológico de Tokyo, descobrem um exemplar do pré-histórico celacanto, o grande peixe da costa leste africana, dado como extinto. Os japonesinhos de calças curtas são ameaçados pelo doutor Sanata misterioso oceanógrafo de cabelos brancos e monóculo escuro com uma correntinha lateral.

O sinistro oceanólogo grisalho dá um conselho aos garotos. "Não se aventurem nas profundezas dos oceanos. O celacanto quando se enfurece emite grandes ondas de ódio". Eu fui um dos meninos da minha geração que nunca mais esqueceu as palavras em eco do doutor Sanata: "Celacanto provoca maremoto... celacanto provoca maremoto..." Foi a pixação mais popular do Brasil nos anos 70.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

No Coração do Texas

Em 1993 eu recebi um convite irrecusável: viajar pelo sul dos Estados Unidos assessorando a equipe de um programa turístico de TV. Foi uma viagem quase esquizofrênica. Visitei lugares fabulosos. Mas o clima na equipe de produção não era dos melhores. Foi uma viagem tensa por lugares relaxantes.

Acabei de passar para DVD as duas fitas com os 4 programas que rendeu essa viagem. Ela começou em New Orleans, muito antes da devastação provocada pelo furacão Katrina. Seguimos de avião para Houston, e depois seguimos para outras três cidades do Texas: San Antonio, Houston e Dallas. Ouvi muita música boa na Bourbon Street, conheci a sede da NASA, estive na esquina em que o presidente John Kennedy foi assassinado. Conheci grandes zoológicos e um dos melhores aquários do mundo (em New Orleans).

A foto aí em cima foi tirada no parque Six Flags, em Dallas. Da esquerda para a direita, um amigo, eu e a apresentadora do programa, Lúcia Romano.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Escrever

O maior problema de escrever é escrever.

A gente tem uma idéia, e acha aquela idéia o máximo, e na nossa cabeça a idéia já foi produzida, é sucesso total, virou mania nacional, você está ganhando rios de dinheiro imaginário dando uma entrevista imaginária na CNN.

Ou então você assiste a um belo filme (como o PS - I Love You, que vi ontem) e se pergunta: por que eu não escrevi um filme como esse? Por que não ainda terminei nenhum dos 4 livros simultâneos que estou desenvolvendo? Por que não escrevi aquela peça de teatro que bolei debaixo do chuveiro sobre aquele cara que... como era a idéia da peça mesmo?

Viver da escrita já é difícil. No Brasil, um pouco mais. Mas escrever é como um vício, um oxigênio, um prazer impossível de ser descrever por escrito.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Godzila na Paulista

Há 10 anos atrás foi lançada a nova versão (americana) de Godzilla, o mais famoso dos monstros japoneses. Eu estava na revista VIP e "exigi" escrever sobre o mega-réptil dos cinemas. Não me lembro absolutamente nada sobre a matéria em si. Mas a ilustração acima, em página dupla, foi bem marcante. Pedi ao ilustrador Noriatsu que imaginasse Godzilla em plena avenida Paulista sendo atacado por jatos da FAB, como obelisco do Ibirapuera na mão. Infelizmente na ficção não temos essa chance. O lagartão só ataca cidades mais chiques como Tokyo e New York...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Meu filme # 1823

Eu assisto todo filme estrelado por Will Ferrell. Em qualquer um deles esse grande comediante se desdobra para que a gente ria muito. Eu já tinha me divertido muito com o recente Blades of Glory.

Este Talladega Nights é quase a mesma que o Blades (ou mesmo O Âncora). A história é praticamente a mesma. O personagem, idem. Só que aqui Ferrell troca os patins por carros de Fórmula Nascar. O filme esculacha esse universo intelectualmente não muito brilhante do automobilismo. E as cenas de corrida são incrivelmente boas para uma comédia.

Talladega Nights tem ainda a participação de Shacha Baron Cohen (o Borat) como um ridiculamente afetado piloto francês de Fórmula Um que lê Camus e toma café-au-lait enquanto dirige a 250 quilometros por hora. O duelo entre Ferrell e Cohen já vale o filme.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Duas Caras

Epa epa epa epa! Muita calma nessa hora! Mas justamente acontece que eu estou gostando de Duas Caras. Dificilmente vai entrar na minha lista de novelas favoritas de todos os tempos. E eu confesso que nunca fui o maior fã do escritor Agnaldo Silva.

Mas em Duas Caras ele está tendo algo cada vez mais raro na cultura brasileira: coragem. Agnaldo conseguiu fazer da Portelinha uma favela muito mais próxima da realidade do que os cenários demagógicos de tantos filmes. Ali está uma comunidade, não uma tese de sociologia. Tem exageros e absurdos, mas funciona como obra de ficção.

Páginas da Vida foi uma exaltação ao chamado políticamente correto. Paraíso Tropical pecou pela preguiça e falta de audácia. Duas Caras não perdoa ninguém. O vilão como sempre é um empresário de estilo paulistano. Mas nunca antes eu tinha visto uma obra narrativa no Brasil retratar um líder estudantil como ele costuma ser: um fascistinha arrogante.

Outra proposta ousada de Agnaldo Silva foi lançar Lázaro Ramos como o primeiro galã negro em novelas brasileiras. Eu me espanto também com o grau de perversidade oculta que existe na relação entre a tonta Maria Paula e o grosseiro Adalberto/Ferraço.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Minha revista favorita

Eu coleciono a Entertainment Weekly há muitos anos. Apesar de ser um defensor da midia eletrônica, eu sei respeitar uma revista bem feita. E a EW é a mais bem feita de todas as que conheço.

Como o próprio nome diz, é semanal. É impressionante o que se pode ser criativo uma semana depois da outra. A Entertainment é uma revista que só poderia acontecer nos EUA, imbatíveis na arte de divertir o mundo. Fala de TV, cinema, teatro, música e internet. Seus textos são irresistíveis, a arte dá uma lição de liberdade e exatidão. Eles fazem perfis de celebridades como ninguém. E cada título de matéria tem uma referência secreta na cultura pop, como que dando uma piscada para o leitor atento. Com a globalização anda mostrando cada vez mais produtos de outros países. O Brasil costuma freqüentar as páginas de música.

A coleção da EW não fica nada barata. Cada exemplar está sendo vendido por 20 reais. Mas vale o preço. Ali está sendo escrita em detalhes o que o mundo acadêmico continua a desprezar ou não compreender: a história da cultura Pop.