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domingo, 21 de dezembro de 2014

Let's Zappalin' (& Napoleon Murphy Brock): mais um motivo para amar São Paulo

Fotos: Dagomir Marquezi

Entre os muitos motivos de orgulho que eu tenho de morar em São Paulo está o fato de que aqui existe uma das melhores bandas do mundo especializada na música do meu mestre Frank Zappa: a Central Scrutinizer Band. Parece incrível, mas desde ontem a cidade passou a contar com mais um grupo de músicos com a mesma tarefa: a Let's Zappalin', uma iniciativa do grande guitarrista (e ex-Scrutinizer) Rainer Tankred Pappon. O Alemão da Guitarra Verde estreou sua nova banda tendo como convidado especial um dos mais originais artistas descobertos por Zappa: o incomparável cantor, flautista e saxofonista Napoleon Murphy Brock.

O Let's Zappalin' mostrou (no Centro Cultural São Paulo) uma nova geração de músicos que descobriram a oportunidade única de reproduzir a complexa obra de Zappa. Além de Reiner e Napoleon, se apresentaram Erico Jonis (baixo), Fred Barley (bateria) e Jimmy Diniz Pappon (teclados). E Napoleon esbanjou carisma e jovialidade aos 71 anos além de um indestrutível senso de humor. Neste vídeo ele canta (e toca sax) em Florentine Pogen:







Foto: Rogério Naccache

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

De Earl a Paul (passado por Alceu), alguns dos melhores shows da minha vida


Eu fui um dos felizardos que participaram da celebração da música e da vida que foi o sensacional show de Paul McCartney no Allianz Parque. Estou ligado a esse cara há meio século. É tanta convivência que hoje ele é quase membro da minha família. Aquela noite debaixo de chuva me fez lembrar de outros grandes shows que assisti na minha vida.

O primeiro que eu me lembre aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo. Eu tinha uns 13 anos e era fanático por jazz. Assisti à apresentação de um pianista que ajudou a formatar a linguagem jazzística do piano: Earl "Fatha" Hines. Gostei tanto do cara que o primeiro disco que comprei na vida foi este:


Entre os brasileiros, ninguém me impressionou tanto no palco quanto Alceu Valença em 1976. Ele fazia uma música altamente instigante misturando a rica sonoridade de Pernambuco com rock e uma pose de Ian Anderson (do Jethro Tull). Fiquei muito impressionado e o disco que ele gravou desse show (Vivo!) é um dos meus favoritos da chamada MPB:


Aqui vai uma lista (de cabeça) de alguns dos shows que mais me impressionaram na vida:

1) Oscar Peterson Trio
2) James Brown
3) Devo
4) Gilberto Gil ("2222")
5) Ray Charles
6) Central Scrutinizer Band
7) Dread Zeppelin
8) Big Audio Dynamite
9) Buddy Guy
10) Emerson Lake & Palmer
11) Dave Brubeck
12) Eric Burdon
13) Kid Creole & Coconuts
14) Red Hot Chili Peppers
15) John Kay & Steppenwolf

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Decio Marquezi, 86 anos (menos 24)


Decio Marquezi, o bonitão aí de cima, tinha 19 anos quando tirou essa foto, em abril de 1949. Pouco menos de 4 anos depois ele viraria meu pai. Hoje estaria completando 86 anos se não tivesse partido numa tarde muito difícil (para nós) de 1990. Recebi dele de herança princípios sólidos, 0 exemplo de vida, o amor ao Palmeiras, o senso de humor, minhas bases musicais e o gosto por aparelhos eletrônicos. Parabéns, e obrigado por tudo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Uma imagem para sempre: The Living Daylights em quadrinhos


Certas imagens nos marcam para sempre. Este quadrinho de abertura de The Living Daylights aí em cima é o caso. A serie de tiras foi lançada em setembro de 1966 em Londres e alguns meses depois chegou aos jornais brasileiros.

Eu tinha então de 13 para 14 anos, estava descobrindo o mundo e já era fissurado por James Bond. Não conseguia tirar meus olhos desse quadrinho, desenhado pelo mestre russo/australiano Horak. Essa imagem concentrava a complexidade e a tensão explosiva do panorama político internacional. O conto The Living Daylights já era um dos textos mais sombrios, trágicos e surpreendentes escritos por Ian Fleming, o criador de Bond. Em tiras de quadrinhos (adaptadas pelo roteirista Jim Lawrence) Daylights ficou ainda melhor. A história seria aproveitada e daria o nome ao décimo quinto filme de James Bond estrelado por Timothy Dalton em 1987. Vi o filme, li o livro original. E até hoje prefiro os quadrinhos.

Estas são as quatro primeiras tiras de The Living Daylights. Clique nelas para ampliar.


A tira 1 mostra a técnica muito pessoal de Horak, misturando extremo realismo na paisagem com figuras humanas ligeiramente caricaturais. Tudo desenhado em alto contraste, preto no branco. No primeiro quadrinho um carro blindado soviético faz a sua ronda. Os inevitáveis holofotes vasculham tudo em busca de fugitivos. A legenda estabelece a situação: "O muro de Berlim... A sombria terra de ninguém da guerra fria... Armadilha mortal para incontáveis fugitivos de Berlim Oriental..." No segundo quadrinho, um passageiro entra num táxi no lado oriental. Saberemos depois que passageiro e motorista são dois agentes britânicos infiltrados no lado soviético. Klaus, o motorista, está espantado: "Meu Deus. Você é 272? A KGB inteira está atrás de você!". "Continue rodando", diz o agente 272. "Eu vou te mostrar exatamente onde eu pretendo cruzar o muro".


Na tira 2, Klaus, o motorista diz que é impossível atravessar o muro. O agente 272 diz que com o material que está transportando, não tem outra escolha. E por isso mesmo escolheu faz tempo o melhor ponto do muro para a fuga.



"Os pedregulhos e a vegetação alta nesse ponto vão esconder a minha aproximação", diz 272 na terceira tira no local escolhido. Seu plano é tentar a fuga em dias sem luar. Pede a Klaus que garanta um carro veloz esperando no lado ocidental. O tempo para a operação é muito curto: os holofotes iluminam o local a cada 30 segundos.


Na tira 4, Klaus insiste que o plano é uma loucura e pede a 272 que passe a informação num microfilme. 272 diz que a informação está em sua cabeça. E manda avisar a segurança britânica que ele vai tentar a fuga no período entre as próximas terça, quarta ou quinta-feiras. 272 parte. Vinte minutos depois, Klaus está no escritório do "Camarada Coronel" da KGB denunciando o plano de 272. E os leitores ficam sabendo então que Klaus é um agente duplo. James Bond só aparece na décima tira.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Galeria da Homem


Graças ao Rafael Varela (no Facebook) descobri esta preciosidade dos anos 1980. É uma campanha da revista Homem (da editora Três) comemorando os 3 anos da publicação.  Eu estava lá na segunda fila, usando meu pseudônimo Tony Carbone. Posso garantir que esse clima de alegria e informalidade era absolutamente real, especialmente graças ao comando de Leonel Prata e Osmar Mendes. Homem era uma revista sem qualquer pretensão intelectual onde eu escrevia (entre outras coisas) dois folhetins, Detetive Castro e As Aventuras de Bandeira, Motorista de Táxi. O clima era de permanente alto astral no prédio da editora Três, na Lapa de Baixo, zona oeste de São Paulo. Foi uma época de muita criatividade, ousadia e liberdade na minha vida profissional.

sábado, 22 de novembro de 2014

Planeta dos Macacos: após 46 anos, a saga continua


Eu perdi no cinema o filme Dawn of the Planet of Apes (Planeta dos Macacos: o Confronto), lançado este ano. (Uma pena, porque passou em IMAX). Assisti agora na TV. O filme mostra a evolução de Cesar, o chimpanzé super dotado apresentado em O Planeta dos Macacos: a Origem , de 2011.

Cesar é um personagem incrivelmente complexo, graças especialmente a Andy Serkis, o ator que o interpreta (digitalmente). Em Dawn, dez anos se passaram desde a grande epidemia que começou a exterminar os humanos no fim do filme anterior. Cesar formou o berço de uma civilização primata na floresta de Muir, ao norte de San Francisco. Na cidade, alguns humanos imunes à epidemia se organizam e se armam.

O filme mostra que apesar de tudo seria possível uma convivência pacífica entre primatas humanos e não-humanos. O problema são os extremistas de cada lado. É incrível, mas esta série que começou em 1968 (com o Planeta dos Macacos original) já está durando 46 anos. E vai continuar, porque Confronto fez grande sucesso e termina com um gancho para uma sequencia.

Planeta dos Macacos (a versão 68, com Charlton Heston), mudou minha vida, e é muito bom ver que a lenda continua para as novas gerações. Escrevi sobre esse choque causado pelo filme quando eu tinha 15 anos de idade no livro Eu Sou Animal.

sábado, 1 de novembro de 2014

Tecno memórias


Eu sou fanático por tecnologia desde que nasci. Depois (com minhas participações nas revistas Info, Web e VIP) me tornei um profissional da área. Acho que hoje sou cada vez mais fanático por gadgets porque eu passei por épocas bem mais precárias. Estas propagandas mostram alguns exemplos dessa era de pioneiro romantismo tecnológico. 



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Peças para um museu pop


Uma das muitas experiências na internet que eu desenvolvi (e tive que suspender) foi o Ponto Pop. Era um blog (ligado a uma revista já extinta) dedicado a cultuar o que a imprensa e os intelectuais costumam desprezar: a boa e velha cultura pop. É o caso do Capitão 7 (imagem no alto), o primeiro super herói brasileiro, criado a partir de uma série da TV Record.

Outras peças para um hipotético Museu Pop:

Anúncio para jornal da primeira telenovela brasileira, 2-5499 Ocupado, produzida pela TV Excelsior em 1963. Os protagonistas já eram Tarcísio Meira e Gloria Menezes.

Cartaz de Le Magnifique (1973), o pouco conhecido filme do francês Philippe De Broca satirizando a onda James Bond. Atuação inesquecível do grande Jean-Paul Belmondo. 

Judoca, outro super herói autenticamente brasileiro, criado para a editora EBAL por Pedro Anísio e Eduardo Baron em 1969.

Brigitte Montfort, a espiã criada na Espanha que conquistou os brasileiros através das capas criadas pelo gaúcho Benício, mestre absoluto da arte pop.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Mais Intervalo: no camarim, com o elenco da peça



Mais um toque da noite de estreia de Intervalo no Teatro Vannucci, Rio de Janeiro. Depois da apresentação fui cumprimentar o elenco no camarim, e o clima era esse, de alegria e prazer pelo trabalho realizado. Da esquerda para a direita: Amaury Silva, Claudiana Cotrim, Rogerio Brum, Beatriz Winicki e Anike Couto. Meus agradecimentos a todos eles e ao diretor, Josué Soares.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Minha estreia no palco (aos 61)


Já vi meus textos e roteiros em muitas mídias e linguagens: TV, radio, quadrinhos, fotonovelas, etc. Faltava a nobre arte do teatro. Quando ganhei o premio Funarte de Dramaturgia em 2004 com Intervalo, achei que minha estreia como autor teatral aconteceria rapidamente. Mas (tirando duas leituras públicas) eu teria que esperar mais dez anos para ver uma montagem da peça.

Sexta feira, 3 de outubro passado esse marco na minha vida profissional finalmente aconteceu. Estreei oficialmente minha carreira teatral aos 61 anos, e tenho muito orgulho disso. A estreia aconteceu no Teatro Vannucci, Rio de Janeiro e estas são algumas das imagens desse dia inesquecível para mim:

Andrea M. Odri e Diva Marquezi, respectivamente 
minha sobrinha e minha irmã, companheiras dessa viagem.

No palco, depois da apresentação. 
Com o elenco: (a partir da esquerda) Rogério Brum, 
Anike Couto, Claudiana Cotrim, Beatriz Winicki e Amaury Silva

Com os dois diretores de TV e grandes amigos 
desde os tempos da rede Manchete: 
Marcelo Zambelli e Vik Junod.

O dramaturgo e diretor Rodrigo Scheer 
e a veterana atriz Ilva Niño, 
um monumento da telenovela brasileira.

Com minha grande 
amiga, Renata Azevedo.

Intervalo acontece às sextas e sábados, 18:30, no Teatro Vannucci. Para saber mais detalhes (e comprar entradas), vá ao site oficial da peça clicando aqui.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Passagem para Marte


Um dia na vida: Angra dos Reis 26 janeiro 2002


Em 2002 fui convidado a escrever uma matéria sobre a ilha de Caras (em Angra dos Reis) para a revista Viagem & Turismo. Matéria estilo gonzo: fui para a ilha fingindo ser uma celebridade. Não faltou nem a pose de playboy sobre um jetski Kawasaki. Foi divertido, mas saí da ilha com uma insolação. A foto acima mostra o meu estado de fritura ao sol de Angra.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

10 retratos de uma cidade gentil: São Paulo, 1947


Boa parte dos arquivos da lendária revista Life está hospedada numa página da Google. São imagens históricas que vão de 1860 a 1970. Entre as preciosidades estão essas fotos da cidade de São Paulo, captadas por Dmitri Kessel em 1947. Entre outros marcos da cidade estão o Vale do Anhagabaú,  viaduto Nove de Julho, o Viaduto do Chá, o estádio do Pacaembú e o Aeroporto de Congonhas: