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domingo, 24 de maio de 2015

Um homem pendurado no céu de Praga

 
Foto: Dagomir Marquezi

Praga tem o espírito livre. Quem conhece a cidade tem dificuldade de imaginar o horror que eles passaram em 7 anos de domínio da Alemanha nazista e logo em seguida por 47 anos de opressão soviética. Provavelmente por terem vivido 54 anos seguidos de ditaduras, hoje eles procuram uma certa leveza em tudo que fazem.  Turistas que visitam a célebre Cidade Velha são convidados a se surpreenderem onde menos se espera. Como com essa estátua pendurada contra o céu azul de Praga. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Castro na galeria de detetives dos quadrinhos brasileiras

Só agora vi este verbete/homenagem escrito e ilustrado por Lancelot para o seu site HQ Quadrinhos. Meu Detetive Castro (ilustrado pelo mestre Flavio Colin) aparece numa galeria intitulada Detetives do Quadrinho Brasileiro. Sobre o personagem, Lancelot escreve que "O Detetive Castro é um herói urbano, tipicamente paulista, morando no centro de São Paulo, sempre se envolvendo em fantásticas aventuras, como por exemplo, no Caso da Mulher Dragão, contracenando com a personagem de Milton Caniff..." Para ler o verbete da HQ Quadrinhos, clique neste link. Para ler o Detetive Castro em quadrinhos, clique neste link.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Duomo: a catedral das catedrais


Embora a catedral de Notre Dame, em Paris, seja muito mais conhecida e badalada, o Duomo de Milão me parece ser a obra mais rica, ousada e completa. Provavelmente ninguém que a conheça vai conseguir decifrar todos os seus detalhes e conhecer todos os seus segredos. Logo mais vou publicar neste blog algumas fotos impressionantes do Duomo. Ela merece ser visitada pelo menos uma vez na vida.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

De volta a Praga


É muito bom estar de volta a essa terra de homens e mulheres cheios de coragem. Cada dia aqui é uma lição de cultura, gentileza e determinação. Logo mais neste blog, imagens, vídeos e lembranças de uma breve passagem pela República Tcheca,

domingo, 3 de maio de 2015

Meu Museu Particular das Capas de Disco


Eu sempre tive um prazer especial em localizar arte onde outros só viam comércio: séries de TV, história em quadrinhos e... capas de disco. Não importa se são capas de disco de vinil, de CDs ou reproduções em streaming. Elas podem ser sublimes (ou horrendas, claro!). Como eu sei que ninguém vai criar um "Museu da Capa do Disco", estou criando a minha própria exposição permanente. Mas você já está convidado a fazer uma visita clicando neste link.

Algumas das peças do nosso "catálogo": 













domingo, 19 de abril de 2015

Whiplash e todo esse jazz


Passei o dia com Whiplash - Em Busca da Perfeição na cabeça. Por várias razões. Primeiro por ser um pequeno grande filme, com excelente roteiro e direção de Damien Chazelle, um cara que mal completou 30 anos de idade e já tem estilo veterano. A dupla central de atores (Miles Teller e J K Simmons) gerou uma performance daquelas para ser revista muitas vezes. É o tipo de filme que se eu encontrar sendo reprisado na TV, não vou resistir a dar mais uma olhada.


Whiplash significa ainda mais para mim. O garotão Andrew me lembrou dos meus tempos de adolescente quando era um fanático por jazz. Os primeiros shows que assisti foram de Oscar Peterson, Earl Hines, Art Blakey e outros gênios que passaram por São Paulo no momento certo da minha vida.

Mas o filme mexeu comigo também por ter como centro das ações uma bateria. Eu já fui um baterista amador que começou no rock e se mudou para o funk. Mas em certos gêneros eu nunca me atrevi, pela extrema dificuldade técnica, muito acima das minhas possibilidades. O samba foi um deles. E tocar jazz sempre me pareceu uma tarefa impossível. Aquilo é complexo demais, e não é a toa que meu baterista de jazz favorito seja Ed Thigpen (ex-Oscar Peterson Trio). Justamente por ter simplificado a linguagem do instrumento para que até um leigo como eu pudesse entender mais ou menos como se faz.



Whiplash não trata de amadores, mas do topo da formação musical entre os profissionais do jazz dos EUA. O filme é terrível, difícil de ver. Fletcher é o professor dos infernos que eu (graças a Deus) nunca tive. E mesmo assim, daquela tensão explosiva entre professor e aluno acaba fluindo o melhor jazz.

Para quem ainda não assistiu. este é o trailer:

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O jornalismo está vivo para quem não morreu


Fui pego de surpresa ontem com cumprimentos de amigos pelo Dia do Jornalista. Eu tinha me esquecido dessa data. Agradeço (de novo) pela gentileza.

E como quase todos os dias li nas redes sociais posts de lamentação pelo "fim da profissão". Estamos numa crise, sim. Grandes empresas estão fechando revistas e jornais. Jornalistas estão sendo demitidos. Isso é o "fim"?  Só posso falar por mim; eu estou cada vez mais otimista.

Acho que estamos assistindo ao fim, sim, mas de uma fase do jornalismo. E ao começo de uma nova fase, que pode ser ainda melhor que a anterior. O que está chegando ao fim é o jornalismo envelhecido, dependente do papel, militante político, sem imaginação, de costas para o futuro. Mas as condições de produção de imprensa estão cada vez mais poderosas e acessíveis, por causa da digitalização. Alguns dos textos que eu escrevi a esse respeito estão no meu livro Alma Digital.

Boa parte da atual crise da imprensa brasileira é causada por medo e comodismo. Mas o futuro começa a cada minuto. O jornalismo, como tudo mais, espera a cada dia por uma reinvenção.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Google+: meio milhão de agradecimentos


Acabo de atingir a marca dos 500 mil seguidores no Google+. Não foi fácil, especialmente para quem não tem apoio de divulgação em outros meios como radio, TV, imprensa escrita, etc. Participo de muitas redes sociais, mas tenho especial carinho com meus seguidores no Google+. O clima lá costuma ser mais leve do que em outras redes.

E já que cheguei esse número mágico, tudo o que eu posso fazer é dedicar 500 mil agradecimentos, um para cada pessoa que me aceitou em seus círculos. E prometer que vou continuar oferecendo o melhor que puder em matéria de informação e entretenimento. Espero também que a Google reveja seus nebulosos e incertos planos com relação ao G+.  Nós, que gostamos dessa rede, esperamos que ela seja preservada.

Para seguir minha página no Google+, clique aqui.


terça-feira, 31 de março de 2015

Adeus, Mona

Foto: Lidice Ba

Eu tive um único encontro de verdade com a Mona. Foi nesse dia da foto em Campinas quando ela já estava bem velhinha e só tinha amor para dar e receber. Adeus Mona, descanse em paz.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Jorge Loredo (1925-2015) e eu


Eu sou fã desde criancinha (literalmente) de Jorge Loredo. E grato a ele, como sou grato a todos os que me fizeram rir na vida. Eu parava tudo - e ainda paro - cada vez que vejo na TV a figura de Zé Bonitinho entrando em cena com seu mega topete, óculos escuros gigantes e ternos amalucados, penteando as sobrancelhas com seu gigapente.

No dia 2 de fevereiro de 1999 tive a felicidade de conhecer o grande Jorge Loredo pessoalmente num hotel do centro de São Paulo para uma entrevista que seria publicada na revista VIP. Ao contrário do seu personagem, Loredo era um homem culto, advogado de estilo. Ele me contou detalhes de sua vida mas eu estava especialmente interessado na criação de Zé Bonitinho. Entre outras coisas ele me revelou a origem de um de seus bordões mais famosos. Foi durante um programa ao vivo na rede Tupi, transmitido com duas câmeras. Uma delas quebrou, o diretor ficou meio perdido. Jorge não teve dúvida: apontou para a que ainda funcionava e ordenou: "camera, close!". E nunca mais deixaria de dizer isso ao se despedir de cena.

Jorge Loredo merece o melhor dos descansos. De onde estiver, ouvirei para sempre um tostão de sua voz cantando: "If I had a thousand women, uauau... uauau..."


PS: quem quiser conhecer a vida de Jorge Loredo pode baixar gratuitamente sua biografia em PDF clicando neste link.

Memórias do Cine Vila RIca

 

Ontem na saída de uma reunião de trabalho fiz uma viagem no tempo. Passei pelas ruas onde passei alguns dos melhores anos da minha vida, na passagem da infância para a adolescência. Eu vivi nessa época no bairro do Itaim-Bibi, em São Paulo. Morava a uma quadra da avenida Santo Amaro. Numa época de grandes descobertas eu tinha 4 cinemas perto de mim na avenida: Radar, Vila Rica, Graúna e Guarujá.

A construção acima foi o que restou do saudoso Vila Rica, com sua platéia em dois andares. O cinema fechou e o prédio foi aproveitado para alguma outra função, que também já não funciona mais. Meu momento mais marcante no Vila Rica aconteceu sendo durante a exibição do flme A Corrida do Século (The Great Race, 1965).

Foi uma tarde de pura diversão com Tony Curtis e Jack Lemmon. O cinema estava lotado curtindo o melhor que Hollywood podia oferecer em 1965, Numa das cenas, a lindíssima atriz Natalie Wood caía num laguinho. A roupa molhada fazia os seios de Natalie serem exibidos no limite do seu corpete.

Numa época quando o sexo era muito, muito discreto, aquela visão deixou a platéia em absoluto silêncio. De repente em algum canto escuro do Vila Rica um garoto comentou sem medir o volume da voz: "Urra meu, que teta!" O cinema veio abaixo com as gargalhadas.

Conforme o tempo passa, certas lembranças ficam cada vez mais firmes na minha memória afetiva. A plateia do Vila Rica é um exemplo disso.

sexta-feira, 20 de março de 2015

30 anos depois, o retorno da turma da Homem




A Editora Três foi um dos melhores lugares do mundo para se trabalhar na década de 1980. Sob o comando de Leonel Prata e Osmar Mendes Junior, ali era o reino da alegria. Eu escrevi folhetins, reportagens e ajudei a produzir fotonovelas numa farra contante, onde não se perdia o senso de profissionalismo. 

Ontem parte dessa turma se reuniu num bar da Vila Madalena, em São Paulo. O resultado foi constatar que o clima continua o mesmo. Alguém sugeriu no final o retorno da saudosa revista Homem em versão digital. Eu apoiei na mesma hora, mesmo sabendo que era um sonho.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Um dia na vida: São Paulo, 2 de dezembro de 2006


O que é ser um repórter gonzo? É virar personagem da sua própria reportagem. E eventualmente encarar um ridículo em nome do jornalismo. Neste domingo, 2 de dezembro de 2006 eu me vesti como Elvis Presley em fim de carreira. E me tornei o Pastelvis. De peruca, óculos escuros e uma roupa inspirada na fase Las Vegas do grande ídolo, fui até um grande festival brasileiro de fanáticos por Elvis. Como esse cara ao meu lado, Luiz Gustavo Oliveira, um dentista de Teresina que viajou até São Paulo só por causa do festival. Eu me diverti muito, mas a matéria (para a Playboy) não teve a repercussão de outras reportagens gonzo. Uma pena. O texto foi todo montado com referências e citações da músicas de Elvis.

Adorei meu dia de Elvis. Distribuí muitos autógrafos sem desentortar a boca. 



A capa da edição, com chamada da matéria.

domingo, 15 de março de 2015

Cabeça erguida


Eu estava nas passeatas contra o regime militar. Eu estava nas manifestações pelas diretas-já. Eu estava hoje na Avenida Paulista.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A cidade que eu quero


Outro dia postei no Facebook duas fotos de edifícios recentemente erguidos aqui no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. Destaquei a feiura deles. Foi a minha opinião, claro. A maioria dos comentários concordava comigo. Vários outros disseram que gostaram desses estilos, por representarem uma tendencia contemporânea de estética arquitetônica. Esses são os prédios:

 

O edifício está atrás do estacionamento. É esse paredão quadriculado ao fundo numa colagem de cores foscas. Alguns dos retângulos são janelas.


Este outro procura ser "conceitual", tendo como inspiração a estética (e o próprio material) de contêineres empilhados num cais de porto. Eu pessoalmente achei dois horrores, feios ao extremo, mas reconheço que beleza é um conceito relativo. Ninguém é obrigado a concordar comigo.

Mas o que temos nessas duas construções vai além da questão estética. Numa época de crise hídrica e energética, as cidades precisam ser cada vez mais verdes. Esse é o conceito que se espalha nos países mais avançados: edifícios cobertos de plantações e com grandes janelas para aproveitar ao máximo a luz do sol e resfriar o ambiente sem depender do ar condicionado. Além de realizar coleta e reaproveitamento da água da chuva.


Hoje mesmo li que em Copenhague, a capital da Dinamarca, todas as contruções terão de ter cobertura vegetal em seus tetos. Segue o caminho de Toronto, no Canadá. Muitas outras se seguirão. Enquanto isso São Paulo (e no Brasil) vamos continuar construindo caixotes porque são "modernos"?

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um barco navega pela minha memória afetiva



A memória afetiva é uma das nossas instituições pessoais mais sólidas. Certas marcas ficam lá, impressas a ferro e se negam ao esquecimento. O filme Cidadão Kane sintetizou isso perfeitamente com a imagem do trenó Rosebud. Existem cenas, sons, cheiros que nos remetem à proteção da infância, aos pequenos prazeres que mudaram nossas vidas, etc.

Outro dia tive uma reunião de trabalho na editora Bamboo e na estante estava esse livro acima. Minha memória deu um salto de meio século para trás e lá estava eu na sala com esse livro na mão, esperando minha mãe fazer o jantar. Ele pertencia a uma coleção chamada O Mundo da Criança. Eram livros temáticos, escritos nos EUA com complementações brasileiras. Nunca pedi uma bicicleta para meus pais, mas era capaz de cair de joelhos no tapete da sala implorando por uma nova coleção de livros. E eles sempre davam um jeito. Eu devorei Conhecer, Grandes Vocações, Curiosidades e o que viesse. 

Embaixo, a página de abertura da coleção, outro patrimônio visual indestrutível da minha memória afetiva.