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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Cem anos de orgulho alviverde, nos bons e maus momentos


Eu tinha 5 anos de idade em 1958 quando essa foto acima foi tirada. Já exibia orgulhoso o P no peito. Graças ao meu pai, Decio, eu nasci palmeirense. Quando virei um jovem metido a besta, levei uma lição. A gente morava num apartamento do bairro de Perdizes com vista parcial para o Parque Antártica. A cada jogo, o Decio ia para a janela e assistia de binóculos, acompanhando a transmissão no radio.

Um dia, lá pelos anos 1980, o Palmeiras vivia uma das muitas crises de sua história. Cheio de arrogância, eu perguntei ao meu pai: "Você ainda acompanha jogo desse timinho?". Seu Decio me olhou com decepção nos olhos castanhos e disse: "Eu sou palmeirense. Nos piores e nos melhores momentos. E torço sempre".

É a lição que eu trago até hoje, quando o time do meu coração completa seu primeiro século de história. E tive a benção de ver esse amor se perpetuar com meu filho, Icaro. Nessa foto abaixo, tirada 30 anos depois, meu pai (de lenço na cabeça) olha cheio de orgulho para o neto enquanto tremem as arquibancadas do Parque Antártica. Essa tarde de sol no Parque serviu como um ritual de passagem. Foi a única oportunidade de reunir 3 gerações de palmeirenses no solo sagrado do Jardim Suspenso. Logo depois meu pai morreria. 

Hoje, quando o Palmeiras vive outro momento ruim, se ergue a lição de integridade do seu Decio. Que meu filho também aprendeu e que um dia vai passar ao filho dele, no segundo século de vida do eterno Palestra.

domingo, 24 de agosto de 2014

Machismo radical em propagandas dos anos 1960


Uma das razões do enorme sucesso da série Mad Men é mostrar os anos 1960 como um mundo completamente distante do que pensamos nos anos atuais. Certas coisas mostradas na série parecem incrivelmente exóticas. E aconteceram há apenas 50 anos atrás. As peças de publicidade deste post hoje parecem escandalosamente machistas pela forma como as mulheres são tratadas, sempre em situação de absoluta inferioridade. Como na peça de cigarrilhas acima: "Sopre (a fumaça) na sua cara e ela te seguirá para qualquer lugar".


"Você ainda bate na sua mulher?" Pergunta o anúncio acima. O texto só piora: "Talvez você não devesse ter parado. Leia o por que no divertido, provocador e ao mesmo tempo educacional livreto intitulado 'Por que você deveria bater na sua mulher', escrito por um eminente praticante dessa arte masculina'."


Nesta propaganda da Hoover a esposa se atira ao chão em agradecimento por ter ganho um aspirador de pó no Natal.


Dos sabonetes Palmolive: "A maioria dos homens perguntam: 'ela é bonita?' e não 'ela é inteligente?'"


"Então quanto mais uma mulher trabalha, mais bonita ela fica!"


Propaganda da Love Cosmetics transforma criança em mulher sedutora. Hoje essa propaganda seria considerada incentivo à pedofilia.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A arte do poster de cinema - Letra C

Laranja Mecânica (1971)

O Capitão Blood (1935)

Colheita Maldita (1984)

A Pequena Órfã (1935)

Contato (1997)

O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O encontro de Robin Williams com a gorila Koko


Sou muito grato a quem me faz rir. É o caso de Robin Williams. Ele foi um ator excepcional. E depois de sua morte, tenho descoberto a cada dia que passa que ele era um cara muito melhor do que eu podia imaginar.

O aval para o caráter de Robin Williams foi dado pela gorila Koko, que se comunica com humanos através da linguagem de sinais. Ela recebeu uma visita de Robin Williams no santuário em que vive, nos EUA. A Gorilla Foundation divulgou um registro desse encontro entre seres de excelente humor. Ele aconteceu em 2001, e os dois parecem amigos de longa data:



Quem quiser conhecer melhor Koko pode encontrar um pouco de suas história neste vídeo:



Você encontra mais detalhes sobre Koko e a Gorilla Foundation clicando aqui.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Lagoa 66: mais um monte de Besteira (em 2 versões)


Nos anos 1980 eu escrevia letras para a banda Lagoa 66. Uma dessas músicas - Besteira - provocou uma certa polêmica por causa do conteúdo provocativo. Eu fiz um desabafo contra clichês intelectualóides usados na época. Com a parceria de Rogério Naccache e Tadeu Patolla, Besteira virou um funk que fez dançar a platéia neste programa da TV Cultura em São Paulo:


O que eu não me lembrava era que em 2003 o Tadeu e o Rogério fizeram uma outra versão de Besteira. A letra foi esticada e hoje parece mais atual que nunca. A música também ficou completamente diferente, muito mais hard do que a versão anterior:

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Filme cult # 1: Privilégio (1967)


Perdi a conta de quantas vezes assisti Privilege quando o filme britânico foi lançado nos circuitos "alternativos" em 1967. Sua figura central era um cantor pop, Steve Shorter (Paul Jones), manipulado para render muito dinheiro e manter a juventude conformada. Nunca consegui comprar esse filme em VHS, DVD ou Bluray. Ele sempre foi uma vaga lembrança.

Agora descubro que ele está na íntegra no YouTube. E eu pude voltar ao escurinho do cine Bijou para ser enfeitiçado por essa fantasia de novo. Visto 47 anos depois, Privilege mostra que é um apenas um panfletão contra "o sistema". O protagonista passa o tempo todo se sentindo mal, cercado por empresários cruéis, manipuladores políticos e a elite da igreja católica.

Embora não possa ser levado a sério nos dias de hoje, Privilégio tem sua magia. O diretor Peter Watkins cria caricaturas (especialmente dos grotescos vilões) que parecem saídos de um filme de Federico Fellini. E algumas músicas são realmente bem boas. Outra grande atração para um adolescente de 14 anos como eu era a bela modelo-atriz Jean Shrimpton, a única personagem "humana". Aqui está a versão integral de Privilégio (sem legendas):

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um dia na vida: Key West 29 abril 1998


Em abril de 1998 fui enviado pela revista VIP para uma reportagem na Florida. Cobri a inauguração do Animal Kingdom, o mais novo parque do complexo Disney em Orlando. Fiz uma matéria também sobre as novas atrações adultas da Disneyworld. 

Terminada a fase Orlando, fui para Miami esperar o dia da volta. Tive tempo ainda para uma visita à muito charmosa Key West, o ponto mais ao sul dos EUA. No último fiz uma excursão de observação submarina no golfo do México. Flutuando, observei arraias, barracudas e enguias nadando pacificamente sob mim. Esqueci da vida com minha máscara e snorkel. Foi uma despedida perfeita para uma grande semana.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sharknado foi inventado no Brasil há 30 anos


Está sendo lançada a continuação de Sharknado pelo canal SyFy. O primeiro telefilme, apesar da precariedade técnica (ou por causa dela), fez grande sucesso. Como diz o título, mostrava um grande tornado sobre Los Angeles que fazia tubarões vivos caírem nas ruas da cidade. O publico admirador de cinema thrash adorou. Sharknado 2 mostra mais do mesmo, só que em New York.

Não pude deixar de lembrar que isso já tinha sido inventado no Brasil há 30 anos. Luiz Gê, o grande artista brasileiro de quadrinhos me convidou para criar uma parceria com ele numa série chamada Tubarões Voadores. Minha contribuição foi zero. A história foi publicada com um generoso crédito para mim, que não tinha feito nada:

Depois inspirou um disco de Arrigo Barnabé, lançado em 1984:


Foi uma obra de impacto do grande Luiz Gê na época, na onda do filme Jaws. Triste que 30 anos depois os tubarões (que estão sendo exterminados nos mares e oceanos) continuem sendo apresentados como monstros assassinos.

domingo, 27 de julho de 2014

segunda-feira, 21 de julho de 2014

The New Yorker: o início


Uma das melhores coisas de se assinar a revista The New Yorker é que você tem acesso ao seu acervo, desde a primeira edição. E uma de suas maiores atrações são as capas, sempre criativas, algumas inesquecíveis.

Esta é uma amostra de capas da New Yorker nos seus primeiros anos de vida, 1925 e 1926:






sábado, 12 de julho de 2014

Família com arte


Peguei algumas velhas fotos em preto e dei um trato "artístico" nelas, usando o site Pixrl. Agora aos poucos estou criando um memorial familiar com esse toque contemporâneo. Aqui vão os primeiros exemplos dessa coleção. Acima, meus pais, Decio e Dirce lá por 1951.

Minha bisavó materna Maria Rocca.

Meus avós paternos, Raphael Marchesi e Angelina Massarelli Marchesi.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Um dia na vida: Laughing Waters, 08 dezembro 2011


Para escrever uma matéria para a revista VIP passei alguns dias em dezembro de 2011 em Goldeneye, um resort na costa norte da Jamaica. Conheci a casa onde Ian Fleming escreveu todos os livros de James Bond. Lá pelo terceiro dia de hospedagem pedi a meu guia que me levasse até algumas das locações usadas no primeiro filme de 007, O Satânico Dr No.

A locação mais emblemática, simbólica - e bela - era essa praia da foto, Laughing Waters. Ali tinha sido filmada em 1961 a cena em que Honey Rider (Ursula Andress) sai da água com seu biquíni branco e seu punhal na cintura e conhece James Bond (Sean Connery). Meu guia me levou até a cidade de Ocho Rios e de lá pegamos uma lancha até Laughing Waters. 

O piloto da lancha me avisou: "esta praia é particular. Eu não tenho como chegar até a areia. Você vai ter que desembarcar, tirar fotos e voltar para o barco em dois minutos no máximo". Ou seja, ficou parecendo um filme do 007. Gravei o seguinte vídeo naquela quinta-feira de sol:


sexta-feira, 6 de junho de 2014

A arte do poster de cinema - letra A



Minha ligação com cinema não é brincadeira. Entre outras coisas, cada vez que eu assisto um filme eu baixo seu poster. A coleção (digital) só cresce, claro. Aqui estão alguns dos meus favoritos - só com filmes começados pela letra A: