segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

VIP: tudo começou com o Museu Marquezi de Canetas Baratas

Guto Lacaz, eu e algumas das canetas

Minha carreira de 20 anos na VIP começou com essa página abaixo. Convidado pelo diretor de núcleo Paulo Nogueira, e pelo diretor de redação, Marco Antonio Rezende, eu escrevi uma matéria sobre um suposto Museu Marquezi de Canetas Baratas. Eu era mesmo fascinado por esses pequenos objetos de escrita, e por onde eu passava, dava um jeito de aumentar o "acervo". Com o tempo, amigos e conhecidos passaram a colaborar com o "museu", que ficava numa caixa no fundo do armário.

Para a matéria eu imaginei o Museu como uma instituição real, cheia de salões monumentais. Cada salão teria um nome específico de acordo com as canetas exibidas nele: Salão das Canetas de Hotel, Salão das Canetas Bizarras, etc. O artista plástico Guto Lacaz foi chamado para planejar a apresentação visual da matéria. Enfim, minha primeira aventura na VIP foi bem divertida. Tanto que eu passaria minhas próximas duas décadas em suas páginas.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Minha entrevista ao Showtime WebRadio


Tive o prazer de ser entrevistado (no dia 14) por Marco Antonio Santos Freitas para a Showtime Web Radio. A rádio tem uma linha nostálgica e o Marco Antonio é um especialista em cultura pop, daqueles capazes de lembrar quem foi o diretor do filme Planeta dos Macacos 2. A conversa foi muito boa (apesar da má qualidade de som) e nós falamos basicamente do meu passado, sobre o qual o apresentador estava mais bem informado do que eu mesmo.

Marco Antonio Santos Freitas

Clique aqui para ouvir a gravação da entrevista via SoundCloud.

Clique aqui para ouvir a Showtime.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Hoje: entrevista para a Showtime


Hoje a partir das 18 horas darei uma entrevista a Marco Antonio Santos Freitas, da Showtime Radio. Este é o texto de divulgação que o Marco publicou no Facebook:

NÃO PERCA HOJE, ENTRE AS 18:00 e as 19:00: uma praia beatnik na California, a banda dos anos 60 que segundo muitos, inspirou a criação do personagem Freddy Kruger, uma das grandes bandas femininas de todos os tempos e um papo retíssimo com Dagomir Marquezi, ficcionista que já escreveu telenovelas, radioteatros, histórias em quadrinhos, programas infantojuvenis, fotonovelas, roteiros, etc e que na imprensa destacou-se principalmente no chamado ´jornalismo gonzo´ e com seus ensaios sobre a sétima arte para o Estado de São Paulo.
SOMENTE no www.showtimeradio.com.br

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Livros que eu li: "Roberto Civita o Dono da Banca", de Carlos Maranhão


Acabo de ler a segunda biografia em seguida (a primeira foi o ótimo livro de Rita Lee). A história de Roberto Civita tem uma ligação muito pessoal comigo. Por isso mesmo foi bem triste ler as páginas finais, que descrevem sua morte - e a melancólica queda do império que ele ajudou a criar. 

O fato é que eu tenho diploma de Jornalismo, mas minha educação sempre foi auto-didata, desde criança. Tive um período excepcional na escola, no equivalente ao curso ginasial. O resto foi muito ruim, e todos sabemos como é péssima a educação brasileira - e como piora cada vez mais.


Eu me eduquei na verdade com os livros de Monteiro Lobato. E principalmente com as coleções de fascículos da editora Abril, uma iniciativa de Victor Civita, pai de Roberto, Victor. Eu devorei com fúria cada fascículo da coleção Conhecer e aprendi muito com com coleções sobre artes, música clássica, etc. Um dos momentos mais marcantes da minha adolescência foi fazer um estágio na redação de Conhecer, ainda na rua João Adolfo.

O livro de Carlos Maranhão mostra que Roberto Civita nunca gostou muito de nada disso. Seu foco estava especialmente na revista Veja. E essa foi uma das principais razões da queda da Abril. Um dos poucos defeitos dessa biografia é, refletindo o próprio Dr Roberto, dar atenção demais às fofocas e brigas internas de poder que aconteciam na Veja - quando havia tanta coisa acontecendo ao seu redor.


Depois desse estágio na Conhecer, tive outras duas experiências profissionais na Abril. Nos anos 1980 fui convidado (por Paulo Moreira Leite) a ser o comentarista de cinema da Veja. Foi um período curto, que eu aproveitei com intensidade. Mas as condições de trabalho (no edifício da Marginal do Tietê) eram desumanas , e isso é reconhecido no livro de Carlos Maranhão. Fiquei alguns poucos meses e pedi demissão.

Em 1997, fui convidado pelo então diretor de núcleo Paulo Nogueira a ser um dos editores da revista VIP. Seguirem-se os 10 anos mais produtivos (e divertidos) de minha carreira de jornalista. Tive liberdade e apoio para exercer na integridade minha visão de imprensa - mais livre, mais criativa, mais ligada à vida real dos leitores. Em 2007 fui demitido num daqueles cortes para enxugar despesas. Lá dentro fiz o possível para alertar a editora sobre os novos rumos marcados pela digitalização e pela internet. Infelizmente (e Roberto Civita reconheceu isso), a editora permaneceu presa ao papel e a métodos obsoletos.


Mesmo assim, eu jamais deixei de me considerar um "abriliano" e continuo colaborando com a revista VIP. Por mim, jamais vou deixar de escrever para as publicações da editora. Roberto Civita foi um excelente patrão. Ele tinha princípios sólidos com os quais eu me identificava, e lutou por eles nas piores condições. O linchamento político a que foi submetido foi vergonhoso e incluiu cenas dignas da Alemanha hitlerista. Sou e serei sempre grato a Roberto Civita, com quem nunca conversei pessoalmente. E para quem eu era só mais um funcionário com o crachá verde e branco da arvorezinha.  














terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Segunda Guerra: mais fatos, menos análises


Estou lendo The Second World War - A Complete History há mais de um ano. Já li outros livros sobre a Segunda Guerra, inclusive o clássico Ascensão e Queda do Terceiro Reich, de William L Shirer. Mas esta obra de Martin Gilbert me pegou de jeito.

Qual a diferença? Gilbert não quer explicar nada. Ele simplesmente conta como foi a Segunda Guerra. Com fatos, sem análises. Eu não preciso de análises. Os fatos me bastam.  A simples narração da loucura com que Adolf Hitler contaminou o mundo já é o suficiente para que eu nunca mais queira nada parecido. Nem agora, nem no futuro.

O livro descreve batalhas e estratégias, mas esse não é seu ponto. Seu forte é contar o dia a dia dessa grande catástrofe. Descreve com a mesma riqueza de detalhes a execução de 2.500 judeus num campo de concentração e a morte de um único guerrilheiro anti-nazista. Através dessa narrativa factual, a Segunda Guerra parece ainda mais absurda do que a conhecemos.

Sir Martin Gilbert escreveu 88 livros de História. Faleceu em 2015 aos 88 anos.

Sir Martin Gilbert


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Viver é mudar


Uma das vantagens de amadurecer é deixar de ter gurus, Eu tenho ídolos artísticos, sim. Mas não gurus. Não concordo 100 % com nenhum ser humano sobre a face da terra. Discordo inclusive de mim mesmo em intensos debates internos nos labirintos da minha mente. E espero que ninguém concorde 100 por cento comigo. Por isso odeio ideologias, detesto ondas de pensamento uniforme, formatações cerebrais cimentadas, clichês que se repetem, formas congeladas de ver o mundo.

Isso não quer dizer que eu aposte no caos. Tenho princípios sólidos e cada vez mais estáveis. Por isso mesmo observo com prazer as pequenas e grandes mudanças de cada dia. Algumas eu adoto, outras não. Como os tubarões, preciso me movimentar o tempo todo no oceano dos iguais.

Foto: Lu de Francesco

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Nos tempos do Novo Mundo

Foto: Dagomir Marquezi

Durante os anos de 1988 a 1992 eu trabalhei na rede Manchete no Rio de Janeiro. Escrevia programas para a Angélica (Milk Shake, Clube da Criança) e desenvolvia outros projetos como a adaptação de O Diário de um Mago (de Paulo Coelho) para minissérie e a criação de uma novela.

Em todo esse período eu morei em São Paulo mas viajava toda semana pela Ponte Aérea para passar 4 ou 5 dias no Rio. E me hospedava no Novo Mundo, um dos mais tradicionais hotéis cariocas. Eu instalava meu computador num dos quartos de frente e trabalhava muitas vezes até o dia amanhecer. E tinha o privilégio de assistir um nascer do sol como esse da foto acima.

O Novo Mundo  em 1950

O lugar onde fica o Novo Mundo não tem o menor prestígio hoje em dia - na praia do Flamengo, frequentada por gente muito mais  real que a elite do eixo Leblon/Ipanema/Barra. O hotel fica numa região muito interessante e estratégica do Rio: pertinho do Santos Dumont, ao lado do que já foi o luxuoso Hotel Glória. Ao lado fica o belo Parque do Catete, com o Palácio de onde o Brasil já foi governado - hoje um museu. Atrás, o simpático e acolhedor bairro do Catete.


Toda vez que vou ao Rio, faço questão de visitar essa região, onde me sinto em casa. Por muitos anos eu frequentei diariamente a rua do Catete, almocei no Largo do Machado e dei caminhadas na praia do Flamengo. Nunca testemunhei uma única cena de violência. Seu Paulo, o saudoso gerente do hotel na época, era um grande amigo, e cuidava muito bem do frequente hóspede paulistano. Meus passeios entre as palmeiras imperiais do Parque do Catete eram momentos de profunda paz no momento difícil em que perdi meu pai.

Foi uma pena que a Manchete tenha desabado. Mas as lembranças dos tempos do Novo Mundo ficarão firmes sempre em pé - como o próprio hotel.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Eu sou um PanAm Frequent Traveler


Já tive uma carteirinha de milhagem da PanAm, a empresa sólida de aviação fundada em 1927. Tinha tanto prestígio que em 1968 o lendário filme 2001 - Uma Odisseia no Espaço (de Stanley Kubrick) mostrou uma nave espacial da empresa fazendo a ligação com uma estação orbital.


Em 1964, a empresa começou a fazer reservas para seu primeiro voo para lua, calculado para acontecer em 2000. 10 anos antes de 2001 a PanAm entrou em falência e fechou as portas. Mas permaneceu presente no insconsciente da cultura pop. A rede americana ABC lançou em 2011 uma série com o nome PanAm.

Se a PanAm voltar um dia e se retomar seu projeto de viagens à lua, eu já tenho minha carteirinha de milhagem!


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O que eu tenho a dizer sobre política


Eu costumo votar num determinado candidato para deputado federal. Faço isso por duas razões básicas: 1) Ele é o mais atuante deputado no campo dos direitos animais e defesa do meio ambiente. 2) Não se envolveu em nenhum escândalo ou ato de corrupção.

Desde a última eleição eu assinei o Boletim "Acompanhe seu Deputado". Este boletim semanal me avisa das atividades desse deputado. Se ele 1) deixar de atuar nos campos de direitos animais e ambientalismo e/ou 2) se envolver em atos ilícitos, eu deixo de votar nele.

Não passo meus dias xingando genericamente "os políticos". Eu voto com consciência e acompanho o candidato no quem eu votei semana a semana para apoiar seus atos com os quais eu concordo e criticar os atos com os quais não concordo.

O Boletim pode ser assinado neste link.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

De volta à infância com Monteiro Lobato e a arte de Augustus - Parte 2


Mais capas de Augustus para a inesquecível (para minha geração) coleção Monteiro Lobato da editora Brasiliense. Agradecimentos especiais a Ricardo Dias e Letícia Carneiro.







quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

De volta à infância com Monteiro Lobato e a arte de Augustus - Parte 1


Monteiro Lobato foi o verdadeiro educador da minha primeira infância. Eu frequentava a escola, claro. Mas esse grande escritor paulista me ensinava de um jeito muito mais divertido e eficiente. Ele falava de ciência, aritmética, geografia, história, literatura, astronomia vendo o mundo através do seu Sítio do Picapau Amarelo. Por muitos anos eu fiz parte da família de Dona Benta.

Graças à boa vontade dos meus pais, eu fui um feliz proprietário dessa coleção da Editora Brasiliense com ilustrações internas de Le Blanc e essas inesquecíveis capas de Augustus, Com o tempo, aconteceu o inevitável: a coleção foi doada em alguma mudança da família.

Agora meu amigos Ricardo Dias e Letícia Carneiro me possibilitaram um passeio pelo meu passado. Eles felizmente guadaram essa coleção e me forneceram fotos das capas. Eu dei um tratinho gráfico nelas e - voilá! - voltei aos tempos de criança faminta de conhecimento  com essas capas mágicas. E tudo começou com Aventuras de Hans Staden, meu primeiro livro, que eu ganhei do meu querido tio Carlito:









domingo, 4 de dezembro de 2016

Parabéns pelos 88 anos, meu pai campeão!

 

Nosso querido pai (meu e da Diva), Decio Marquezi, faria hoje 88 anos. Foi embora muito cedo, mas prefiro pensar nos 62 anos que esteve entre nós do que nos 26 que não esteve. Me deixou como herança meio apartamento, o gosto pela música, a ética do trabalho, o bom humor, a devoção ao Palmeiras, os bons modos, a enciclopédia Barsa, o respeito a qualquer ser humano, a coleção de discos 78RPM, a humildade, a paciência, a atração por tecnologia, a calvície, a tara por manga gelada, as viagens de trem, a cara de pau, e todas as lições que eu usei para criar meu próprio filho, o Ícaro. 

Feliz aniversário, pai. Espero que você já tenha reencontrado seu único e verdadeiro amor, nossa mãe Dirce.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Auika! está digitalizado e disponível. E aí vem Auika-2!

Ilustração: Flávio Del Carlo

Meu primeiro livro, Auika!, foi produzido (em 1980) em condições inimagináveis para os dias de hoje - com cola, tesoura, gilete, xerox e máquina de escrever. Tudo feito em casa, com a ajuda de um bando de amigos fiéis. O livro era inteiramente ilustrado, com primorosa direção de arte de Lu Gomes ("a arte vale o preço", disse o crítico literário da revista Playboy na época). Tinha também as ilustrações do saudoso Flávio Del Carlo.

Não me orgulho de tudo o que escrevi nesse livro, uma coletânea de artigos escritos no início da minha carreira de jornalismo, quando eu achava que ia ser o "Umberto Eco brasileiro". Afinal, com 27 anos, eu era um poço de imaturidade, especialmente política. Mas valeu o esforço de todos nós.

O livro hoje está digitalizado e disponível neste link. Lembrei dele porque estou finalizando uma espécie de volume 2. Até lá, fica minha saudação inca-venusiana: Auika!

Capa: Lu Gomes

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O fim da (minha) era do carro



Claro, eu já fui fissurado em ter um super carro, mas acho que o auge dessa fantasia foi em plena adolescência. Eram sonhos. A realidade foi um Gordini vinho, o primeiro carro que meu pai comprou, e eu nunca vou me esquecer dele pelo fato de ter sido o primeiro.

Vieram Fuscas e Brasílias (tirando o Gordini, minha família sempre foi fiel à Volkswagen). Fiz muita besteira em carro, como correr, me distrair, avançar sinal. etc mas graças a Deus nunca me aconteceu nada de grave. Quando eu comecei a comprar carro, estagnei no VW Gol. Não queria outra coisa. Não ambicionava. Eu queria (e ainda quero) era andar de trem. Mas a experiência neurótica de ser motorista em São Paulo foi ficando cada vez mais desagradável. E perigosa.


Um dos Gols que eu mais gostei foi esse vermelhinho de chapa BMP-9428. Depois veio a fase dos carros 50 tons de cinza. Aí, já sem a menor motivação, só movido pela "necessidade", comprei meu último Gol - esse DZH-9587 abaixo. que foi dividido com meu filho Ícaro. Um dia, com problemas financeiros, eu vendi o bravo DZH - e essa foto embaixo é o momento em que o comprador leva meu Golzinho querido embora. Não minto: foi triste.


Essa foto marca o último momento em que eu tive um carro. Depois que ele se foi, nem pensei mais em comprar outro. Hoje eu ando pela cidade de metrô, ônibus, trem - e eventualmente um Uber. Sou muito mais feliz, muito mais bem resolvido como cidadão, passei a amar São Paulo ainda mais profundamente. O pior lugar para se viver aqui é atrás de um volante.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A arte em close-up

 

Às vezes eu dou um tempo no trabalho visitando museus pelo mundo. Para isso, uso o Google Cultural Institute, com seu imenso universo de obras de arte. Eu olho o quadro todo, mas gosto de procurar seus detalhes. Dou um close up em busca de um olhar, de uma cena íntima, busco meu próprio enquadramento. No exemplo aí de cima, "A Mulher de Preto", de Robert Henri (1910).


"Toque", de Jan P Saenredam (1565)


"Lighthouse Hill", de Edward Hopper (1927)