domingo, 17 de julho de 2016

Os Mano: a trilha sonora de um filme oculto chamado Carro de Paulista


Em 2010 eu fui roteirista de um telefilme chamado Carro de Paulista, dirigido por Ricardo Pinto e Silva. A historia dessa produção foi contada num blog que você pode acessar clicando aqui. O filme foi exibido três vezes pela TV Cultura e sumiu. Não existe em DVD ou BluRay, não está no YouTube, não está no Netflix. Como o filme foi muito bem recebido pelo público, é uma pena que não esteja acessível. Espero que a TV Cultura encontre uma saída para essa situação.

Sua música tema foi criada a partir da necessidade de caracterizar os quatro personagens principais: quatro jovens da periferia que passam uma noite de aventuras em bairros classe A de São Paulo. O estilo é puro funk old school. 

Ficha técnica:

Letra: Rogério Naccache e Dagomir Marquezi
Música: Tadeu Patolla, Roger Isla e Leonardo Giordano
Tema do telefilme Carro de Paulista (2010)
Com: Kleber, Tadeu Patolla, Leonardo Giordano, Roger Isla
Gravado em Caraguatatuba e São Paulo em 2010

A música:


A letra:

OS MANO
Tá ligado, a gente veio do Tatuapé / Tá ligado, do Itaquera, você sabe como é / Tá ligado nosso rumo é Zona Sul / Prá pegar as princesinha milionária do Pacaembú / Nós precisa de um carro, nós vamos pros Jardim / Na Vila Madalena eu sei que as mina tão a fim /  Mas se não tem carango eu não levo fé / Quem é que vai olhar prá um mané andando a pé?

Os mano - nós chega e tudo bem / Os mano - não sobra prá ninguém / Os mano – é, a gente se dá bem / As mina, as mina, as mina as mina /  É nóis / Nós é mano ro-ro-ro a gente é zona Leste

Todo mundo já sabe já tá mais do que provado / Prá ganhar mulhé tem que andar motorizado / Andar a pé não levo fé pendurado no busão / As mina não se liga em programa de peão / Saca só o visual, dá uma olhada no estilo / Todo tipo de mulher, burguesinha, bicho-grilo / Tem loura, morena, tem baixinha com peitão / É só você escolher e levar pro camburão


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Minha primeira galeria de GIFs


Aprendi a produzir GIFs no site GIPHY. É um processo simples e obviamente hipnotizante. A repetição de alguns poucos segundos de uma cena tem o poder de atrair nossos olhos por longos minutos. Acho que ninguém estudou ainda o que nos atrai nesse micro videos.

Esta é minha primeira "safra" de GIFs, editados a partir de vídeos disponíveis no YouTube. Acima, a inesquecível coreografia do ex-presidente da Rússia, Boris Yeltsin. 

 Patolino / Daffy Duck

Ben Stiller em Zooland

Um filme de Bollywood

Curly Howard / Os 3 Patetas

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Minha coleção de quadrinhos foi para as nuvens


Eu já fui um compulsivo colecionador de histórias em quadrinhos. Minha coleção de  revistas de HQ ocupava estantes e mais estantes, e só crescia. Até que eu tive que mudar para casas menores e vendi e doei quase tudo.

Hoje minha coleção voltou a crescer. E não ocupa espaço físico nenhum. Agora só leio quadrinhos em versão digital. Sou assinante do site Go-Comics e tenho acesso a tiras e páginas de quadrinhos, algumas novas (como a série Conjurers acima) e outras valiosíssimas peças clássicas da história do gênero. Como o pioneiro Yellow Kid, do fim do século 19:


Gosto também de séries muito tradicionais de tiras, como a série Lil'Abner, com início em 1935:


Ou Dick Tracy, que estreou em 1931 e é publicada até hoje:


Pela GoComics, tenho acesso a raridades como esta primeira tira de Peanuts, do dia 2 de outubro de 1950:


Entre as séries contemporâneas, dou boas risadas com a paródia de ficção científica Brewster Rockit:


Outra boa paródia (aqui, aos filmes de ação) eu encontro em Rip Haywire:


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Escada Para o Paraíso: a alegria de um novo livro


Para quem escreve, o lançamento de um novo livro representa um dia de felicidade única. Aquela montanha de frases, personagens, narrativas e pensamentos sai finalmente de nossa cabeça e se torna um produto que podemos dividir com quem quiser. Aconteceu na madrugada deste domingo, quando lancei meu quinto ebook pela Amazon/Kindle. E um livro em regime de auto-publicação é ainda mais satisfatório, pois cabe ao autor produzir cada etapa do trabalho - o texto, a revisão, a edição, a capa. É ser ao mesmo tempo pai e mãe do filho que vai nascer.

Escada Para o Paraíso é um livro policial satírico, narrado pelo herói Eurípedes Castro. Ele é um detetive da velha guarda que mora em São Paulo hoje, mas pensa que a vida é um velho filme noir. É um livro curto, como um daqueles pocket-books que os brasileiros liam tanto há décadas atrás. A capa foi produzida a partir de ilustrações de Lu Gomes. 

Este foi um domingo especialmente feliz. Foi um domingo de se lançar livro novo.

Para conhecer mais detalhes e comprar Escada Para o Paraíso, clique aqui.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Em memória de Raphael e Angelina


Eu tive muito mais contato com meus avós maternos (Gabriel e Consuelo) do que com os pais do meu pai, Raphael Marchesi e Angelina Massareli Marchesi. Durante minha infância eles moravam numa cidade do interior de São Paulo chamada São Manuel (entre Botucatu e Bauru). Eram duas pessoas muito simples, que passavam muita dificuldade, mas que criaram seus filhos com dignidade e princípios sólidos: Decio (meu pai), Carlito, Marlene, Roberto e Mingo (meus tios).

Dos cinco, só minha tia Marlene Dorini continua firme e forte, graças a Deus. Pedi a ela que contasse um pouco da história de Raphael e Angelina antes que esse registro se perca para as futuras gerações. A seguir, o relato escrito pela minha tia Marlene:


Raphael Marchesi - Nasceu em Marina de Ciró, Calabria, Itália. Nasceu em 07/maio/1899. Era filho de Domingos Marchesi e Seraphina Pinhataro. Chegou ao Brasil em 1900 onde seus pais seriam "cuidadores" de cafezal, na prática escravos brancos. Foi pai de cinco filhos: Decio, Domingos, José Carlos Alberto, Roberto Geraldo e Marlene. Sempre foi pequeno comerciante. Tinha má sorte nos negócios pois terceiros enriqueceram com suas idéias. Exemplos: torrefação de café, fábrica de molho de pimenta, corretor de terrenos, fábrica de doces populares, especialista em assoalhos (sinteko), fabricante de linguiça artesanal. Os últimos 30 anos trabalhou numa banca do Mercado Municipal. Tinha inicialmente uma banca de frutos nobres, banca de verduras e finalmente um pequeno bar onde vendia doces, salgados e pastéis (que Angelina preparava). Faleceu em 01/junho/1983.


Angelina Massarelli nasceu em 26 de novembro de 1906 numa fazenda chamada Nova Sorrento no municipio de São Manuel. Seus pais eram Massarelli Saveri e Amelia Pancardi.Como o seu pai era dono de fabricas de macarrão e sabão ela o ajudava como uma contadora sem habilitação). Na época as mulheres não estudavam e ela teve estudo até a quarta série do ensino fundamental. Foi costureira,trabalhou em fábrica de tecidos,ajudava meu pai na fábrica de doces,  fazia pastel e sonhos para vender nas escolas. Casou-se com Raphael em 03 de janeiro de 1925. Ficou grávida 11 vezes, mas  conseguiu criar apenas 5 dos filhos. Ficaram casados durante 58 anos. Ela viveu 92 anos, e ele, 83.

Marlene Dorini

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Aprendendo a arte do GIF


Eu, como todo mundo, fico hipnotizado com GIFs. A repetição nos torna meio dependentes. Não vi ninguém escrever sobre isso. Agora aprendi a fazer, não por mérito meu mas pela facilidade oferecida pelo site Giphy.com. Esse aí de cima é meu primeiro. Agradecimentos a Renata Carelli, que me deu o toque.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O poster (de filme) como obra arte


Um poster de filme tem vida própria. Ele pode ser melhor que o próprio filme. Eu costumo colecionar os posters (digitalizados) dos filmes que assisto. Aqui vai uma pequena amostra deles. São obras de arte independentemente dos filmes que representam.



 


  





segunda-feira, 6 de junho de 2016

Tia Rogéria, 86 anos de modernidade

 

Minha querida tia Rogéria Moreira (irmã de minha falecida mãe Dirce) completou 86 anos de vida neste sábado. Está (graças a Deus) esbanjando saúde e lucidez.

Isso que ela tem na mão é um leitor Kindle. Minha tia está lendo como nunca leu antes, e optou pelo livro digital. Ela quer apenas o livro em si. As letras, as ilustrações, os espaços, os pontos, as vírgulas, os travessões, as aspas, os índices,os créditos. Minha tia Rogéria quer ler e usa o melhor instrumento para isso.


Quando vem a São Paulo, carrega junto toda sua biblioteca no bolso através desse leitor. Sua filha (e minha prima) Regiane a ajuda a baixar os livros. De resto, minha tia não precisa de orientação nenhuma. Aos 86 anos ela faz o que muitos jovens ainda resistem a fazer em pleno século 21: aproveitar as inúmeras vantagens da leitura digital.

Tenho ou não tenho motivo de sobra para me orgulhar da minha tia Rogéria?

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Eu não pertenço à raça humana



RAÇA HUMANA
Letra: Dagomir Marquezi
Música: Red Hot Chili Peppers
Versão livre de "The Brothers Cup"

Eu não sei de onde vim, eu não sei prá onde vou
Eu só sei que aqui é escala para o próximo vôo
Não me sinto em casa, não me sinto à vontade
Já estava na hora de encarar a verdade

Essa gente esquisita se matando no escritório
O cientista que tortura no laboratório
Eu desconfio, bato com meu pé
Um sujeito desse jeito meu irmão é que não é

Eu to sabendo, ninguém me engana
Eu não pertenço à raça humana

Eu sigo em frente e não olho prá trás
Não tenho culpa do que essa gente faz
É tanta sujeira tanta destruição
Que eu já sinto vergonha de pisar nesse chão

O sujeito que dedica sua vida a um carro
Aquele outro que nos rouba e ainda tira um sarro
A garotinha está na dúvida se compra uma anágua
Ou se vai colher café lá na Nicarágua

Seres do espaço estão de olho em nós
Um deles deve estar escutando minha voz
Reserve uma passagem no seu disco voador
E me salve dos humanos seja lá como for

Lagoa 66: Rogério Naccache (vocal) Tadeu Eliezer (guitarras, baixo, backing) Leonardo Giordano (bateria). Fita demo gravada em São Paulo, 1986

terça-feira, 17 de maio de 2016

Conversas com Billy Wilder


O polonês Billy Wilder (1906-2002) foi um dos mais importantes diretores de cinema de Hollywood durante os anos 1950 e 1960. São dele obras primas como Se Meu Apartamento Falasse, O Crepúsculo dos Deuses, Sabrina, O Pecado Mora ao Lado, Quanto Mais Quente Melhor e muitos outros.

Por causa do longo blecaute de ontem fui obrigado a procurar algum livro de papel para ler. E dei de cara com este acima, emprestado pelo meu amigo Ricardo Dias. O livro é uma longa entrevista realizada com Wilder pelo igualmente cineasta Cameron Crowe (diretor de Jerry Maguire, Quase Famosos e Vanilla Sky, entre outros). 

Para quem conhece a obra de Billy Wilder o livro é uma delícia. Ele conta segredos de bastidores de astros como Marilyn Monroe, Cary Grant, Jack Lemmon, Walther Matthau, Marlene Dietrich, Tony Curtis, etc. E dá excelentes aulas de processo de criação. Mostra como muitos dos seus melhores filmes foram criados em processos fragmentados de criação de roteiro, em mudanças repentinas de elenco, em decisões equivocadas dos grandes estúdios. Billy Wilder só confirma que arte sob controle não é arte.

Billy Wilder

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Confissões de um pedestre


Meu nível de felicidade aumentou muito quando eu vendi meu último carro. E isso aconteceu há pelo menos 3 anos. Minha saúde desde lá deu um salto de qualidade. 

Eu sei, existem desconfortos na vida de um pedestre. E muito perigo. Mas eu prefiro assim. Então minha vida fora de casa consiste em andar (muito), geralmente com fones de ouvido tocando música ou podcasts. E muitas conexões com o sistema de transporte coletivo.

Tenho sorte de morar perto de uma estação de metrô de São Paulo. Em 20 minutos posso estar do outro lado da cidade enquanto os carros se atravancam lá em cima. Tendo minha própria empresa, procuro administrar meus horários de forma a evitar os horários de pico, quando os ônibus e metrôs ficam lotados.

A vida poderia ser ainda melhor para pedestres e não-pedestres se os brasileiros não tivessem destruido sua rede de trens de passageiros e bondes. Mas temos tempo para uma reconstrução. Vai depender de vontade e foco. A mobilidade da população deveria ser uma das prioridades políticas e administrativas. E isso deveria estar acima de ideologias e partidos.

Sonhar é de graça. E nos meus sonhos eu não ando de carro.


domingo, 8 de maio de 2016

35 horas de reggae


Uma das minhas listas favoritas no Spotify é minha seleção DM Reggae Jam. São 35 horas continuas de reggae, 507 músicas para quem tiver uma assinatura:

domingo, 1 de maio de 2016

3 vídeos raros de Prince que você deveria conhecer


Atendendo a pedidos, mais vídeos que mostram a arte de Prince (1958-2016). Infelizmente a maior parte da imprensa não saiu dos limites de 5 músicas e do fato dele ter escrito uma letra onde dizia que não era homem nem mulher. E Prince morreu com 40 álbuns lançados e - descobriu-se esta semana - 2 mil músicas inéditas. Aqui, alguns exemplos de sua genialidade felizmente preservados no You Tube.


Ainda no Japão, durante um ensaio em 1990, Prince mostra o que sabe fazer com apenas um piano improvisando o tema de Summertime:


Aqui, um encontro improvável: Prince e Miles Davis.


E para terminar esta lista, um remédio anti depressivo no Aladdin improvisando sobre 1+1+1=3. Ele (que tinha altos problemas com pirataria) pede no minuto 2:55 que as pessoas transmitam o show pelo celular, ele não está nem aí:

quinta-feira, 21 de abril de 2016

RIP Prince Rogers Nelson (1958-2016)


Conheci a música de Prince logo no início de sua carreira, ainda nos anos 1980, graças ao meu amigo Rogério Naccache. Reconhecemos no baixinho a marca do gênio. Um cara que grava seu primeiro disco tocando todos os instrumentos, compondo todas as músicas e fazendo todos os vocais aos 17 anos não é qualquer um.

Na verdade esse primeiro disco (For You) foi um dos seus piores. Depois tudo melhorou. Prince mostrou ser o maior gênio do funk depois de James Brown. Fazia tudo muito bem: rock, pop, música eletrônica, baladas tristes, jazz. Qualquer coisa. Para a maioria das pessoas vai ser lembrado como o cara que fez o filme Purple Rain. Era muito, muito mais do que isso. Inclusive um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Este solo em While my Guitar Gently Weeps (de George Harrison) é um bom exemplo disso:


Prince era também um excelente produtor, cuidando de artistas talentosos como The Time, Sheila E, e tantos outros. Recusou-se a mudar para a meca da industria musical, Los Angeles e construiu um complexo artístico em sua cidade natal, Minneapolis - onde faleceu. Ele não subia no palco simplesmente. Seguindo a linha de seu ídolo James Brown, ele entregava sua alma à platéia. Cantava, tocava, dançava, transformava o momento numa celebração da vida. Deixava sua timidez de lado e incendiava o mundo ao seu redor com o fogo do verdadeiro funk:


Sou grato a Prince por muitas coisas. Pelo exemplo de artista que ele foi, pelo senso de liberdade, pelo exemplo de ética profissional, por cada segundo de música que me fez sentir mais vivo em minhas caminhadas dançando nas ruas de São Paulo com os fones nos ouvidos. E sou grato por Prince ter me dado a ideia de que é possível aproveitar radicalmente os prazeres da vida e ser religioso ao mesmo tempo. Prince foi um cara que juntou dance music com o Pai Nosso em Controversy (a partir do minuto 3:25). Acho que é assim que ele gostaria que rezassem por sua alma iluminada:

terça-feira, 12 de abril de 2016

O que é um livro?


A resposta parece simples. Livro é aquele objeto de papel cheio de letrinhas que compramos na loja e colocamos na estante.

Obviamente digo isso com ironia, pois há muito tempo aderi ao livro digital. Livro para mim hoje se define melhor como "conjunto de letras e ilustrações colocados sobre fundo neutro" - que pode ser papel ou a tela do computador, do celular ou tablet.

Mas agora essa questão ficou ainda mais complicada para mim. Comecei a usar a plataforma Wattpad, onde você pode publicar o que quiser como se fosse um blog, mas cria uma capa e divide seu texto em capítulos. Como exercício, estou narrando uma viagem que fiz pela California em 1992:


O que é isso? Letras em fundo branco com ilustração. É Wattpad, mas quem disse que não é um livro? Me parece que o conceito de livro está se despindo de suas vaidades. Qualquer um pode escrever um livro? Sim. Qual o problema? Então basta abrir uma conta no Wattpad e começar a escrever o primeiro capítulo? Sim. Se vai virar um bom livro ou algo intragável, essa é uma outra história. Mas o caminho está aberto.