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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

New Yorker: 90 anos depois


A revista The New Yorker comemorou o 90o. aniversário de uma clássica capa com inteligência e classe. A capa acima, de 1925, criou o "dandy" que se tornou o símbolo da revista. Noventa anos depois, com a inflação, o preço passou de 15 centavos para 7,99 dólares. E todos os elementos da capa original foram transformados em sinais dos novos tempos. Incluindo o modo de ver a borboleta.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Beco do Grafite: o sempre surpreendente universo da Street Art


Eu moro na Vila Madalena, o bairro de São Paulo mais rico em Street Art (ou arte de rua). Faz tempo que eu admiro essas explosões de cores nos muros e paredes de uma cidade tão maltratada. Por causa de uma encomenda da revista VIP acabei conhecendo pessoalmente um dos nomes mais importantes do mundo na street art: Eduardo Kobra.

As obras reproduzidas neste post não são do Kobra, mas de outros artistas que transformaram o Beco do Grafite numa galeria aberta. O Beco, também conhecido como "do Batman", é hoje uma das mais surpreendentes atrações turísticas e artísticas de São Paulo. Para conhecer o Beco do Grafite em 360 graus, clique neste link.





quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Um dia na vida: São Paulo, 11 de abril de 1987

Foto: Juvenal Pereira / O Estado de São Paulo

Em 1987 eu era um dos editores do Caderno 2, a sessão cultural do jornal O Estado de São Paulo. No meio do caminho comecei a escrever uma coluna chamada Recado Ecológico. Logo na segunda semana escrevi um texto explicando porque eu defendia o fim da caça à baleia no litoral do Brasil. A coluna teve uma repercussão imensa e se tornou viral muito antes da existência da internet. Nesse dia 11 de abril eu estiquei no corredor que separava as redações do Estado e do Jornal da Tarde a montanha de abaixo-assinados que havia chegado de todo o Brasil. Alguns dias depois dessa foto eu coloquei esses 15 quilos de documentos em defesa das baleias numa sacola que levei ao presidente do Senado em Brasília. Mas esse foi outro dia na vida.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Eduardo Marafanti (*1952 +2014)


Eduardo Marafanti era uma usina de alegria. Sou amigo dele desde 1964, quando entramos no primeiro ano do então Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha. O Marafa era um sujeito inabalável, dono de um bom humor contagiante, bon vivant, gozador do lado ridículo da vida. Foi um exemplo nacional de força de vontade quando descobriu que tinha um tipo raro de leucemia e se tornou voluntário num novo tipo de tratamento nos Estados Unidos. Este foi o emocionado depoimento que ele deu  a respeito no programa do Jô Soares em 2009:


Como disse sua mulher, Malena, o Eduardo lutou 3 vezes com a leucemia até que ela desistiu dele. Infelizmente ocorreram outros problemas e esse grande homem faleceu na semana passada por complicações decorrentes de diabetes. 

Boa viagem, Tovarich. Espero te encontrar um dia desses para, como sempre, dar boas risadas e constatar que a vida pode ser leve.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O mundo em 360 graus


Tenho tirado fotos como nunca tirei antes, mostrando o mundo - literalmente - ao meu redor. Para isso, uso um aplicativo gratuito no meu celular. O aplicativo faz tudo praticamente sozinho, o usuário só precisa seguir as instruções para enquadrar corretamente. Imagens em 360 graus distorcem nossa percepção do mundo. Essa foto de cima eu tirei no terreno atrás do MASP, o Museu de Arte de São Paulo na avenida Paulista. A cidade fica cheia de curvas que não existem na realidade.

Você pode ver essas imagens se moverem ao seu redor de forma mais realista (e meio vertiginosa ) no meu perfil do Google+. (Basta clicar no símbolo de "panorama" no meio de cada foto). Como esta de baixo, registrada no Shopping Eldorado. Que tem uma atração extra: a presença de "fantasmas", pessoas duplicadas como se fossem clones de si mesmas passeando no shopping. Clique nas fotos para ampliar:

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Os crachás da minha vida: FAAP 1977


Barbudo, cabeludo, fugindo das péssimas aulas da terceira série de Faculdade de Comunicações, curso de Jornalismo da Fundação Armando Álvares Penteado. Matrícula número 7051. A essa altura eu já frequentava mais os bares da vizinhança do que a FAAP própriamente dita. Nos dois primeiros anos de faculdade eu me juntei ao grupo mais talentoso e empreendedor da minha vida até agora. Nos dois últimos (1977/1978) eu tinha a a mais absoluta certeza de que conhecia as soluções para todos os problemas do mundo como um todo. Era colunista da Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro) e  da revista IstoÉ, era co-editor da revista "alternativa" Boca, dava palestras sobre histórias em quadrinhos, ajudava a editar a sessão de Cultura do semanário Movimento. Tinha 24 anos de idade. E me achava o máximo e mais um pouco.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Cena de todo dia: Metrô Linha 4


O tipo de cena que eu vejo quase todos os dias: desconhecidos compartilhando civilizadamente um carro do metrô (Linha 4, entre as estações Fradique Coutinho e Faria Lima). Um pouco antes desta foto uma senhora muito humilde havia pedido para a filha desocupar o banco para que eu sentasse.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Paris, 10 de janeiro de 2015: de que lado você estava?



Seria impensável imaginar no final do século 20 que hoje o mundo estaria travando uma guerra de vida e morte contra exércitos de degenerados e sádicos. Terroristas sequestraram a religião muçulmana e hoje falam em seu nome. 1,5 milhões de pessoas nas ruas parisienses dizendo "basta!"foi uma resposta à altura da ameaça representada por esses psicopatas.


Como no final da década de 1930, quando o nazismo não parava de crescer, chegou a hora de cada um refletir de que lado está. Eu estou ao lado da liberdade. Eu estou ao lado dos 40 estadistas que se uniram em Paris para caminhar juntos apesar do perigo. Eu estou do lado do líder muçulmano que foi prestar solidariedade aos judeus na maior sinagoga da cidade. Eu estou do lado da civilização, da cultura, do equilíbrio, do respeito e do debate. Meu espírito caminhou feliz e leve neste domingo pela Place de la République.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Primeiro filme de 2015: Exodus Deuses e Reis


Depois de tantos anos, a chance de eu não gostar de um filme dirigido por Ridley Scott é praticamente igual a zero. Exodus Deuses e Reis é um exemplo disso. Mesmo quando apresenta suas incoerências, Scott sempre nos entrega um cuidado visual extremo. E os melhores efeitos especiais. A sequencia das 7 pragas do Egito é chocante. E Christian Bale faz um excelente trabalho transformando Moisés num homem cheio de defeitos e dúvidas. A concepção de Deus (mais exatamente o Ievé do Velho Testamento) como um menino birrento foi uma grande ousadia dos roteiristas Adam Cooper, Bill Collage, Jeffrey Caine e Steven Zaillian.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Encontro no MASP com a princesa Bibescu


Hoje estive no MASP onde tive o prazer de conhecer Princesa Bibescu, retratada por Edouard Vuillard em (aproximadamente) 1920. Pela Wikipedia descobri que a Princesa Martha Bibescu foi uma princesa romena que se estabeleceu na França, onde se tornou uma escritora de respeito. Existem muitas outras atrações no MASP, que está muito interessante, com peças de Monet e uma bela coleção de arte do século 14. Mas gostei especialmente das cores desse retrato da princesa Bibescu, que foi pintada com óleo sobre cartolina. O retrato das luzes na parede parecem ao mesmo tempo realistas e fantasmagóricas, como se estivessem se arrastando pelas paredes.


Imagens de um pós-Reveillon

Fotos: Dagomir Marquezi

Não, não passei meu fim de ano em um templo budista. Mas na primeira noite do ano, cercado de boa companhia, duas garrafas de vinho e outros ingredientes, fui parar nesse canto do terraço ao qual não estava dando a devida atenção. Foi um início de ano cheio de paz, alegria, otimismo e fé.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Sabadão privilegiado em São Paulo com Let's Zappalin' e Napoleon Murphy Brock

Fotos: Dagomir Marquezi

Entre os muitos motivos de orgulho que eu tenho de morar em São Paulo está o fato de que aqui existe uma das melhores bandas do mundo especializada na música do meu mestre Frank Zappa: a Central Scrutinizer Band. Parece incrível, mas desde ontem a cidade passou a contar com mais um grupo de músicos com a mesma tarefa: a Let's Zappalin', uma iniciativa do grande guitarrista (e ex-Scrutinizer) Rainer Tankred Pappon. O Alemão da Guitarra Verde estreou sua nova banda tendo como convidado especial um dos mais originais artistas descobertos por Zappa: o incomparável cantor, flautista e saxofonista Napoleon Murphy Brock.

O Let's Zappalin' mostrou (no Centro Cultural São Paulo) uma nova geração de músicos que descobriram a oportunidade única de reproduzir a complexa obra de Zappa. Além de Reiner e Napoleon, se apresentaram Erico Jonis (baixo), Fred Barley (bateria) e Jimmy Diniz Pappon (teclados). E Napoleon esbanjou carisma e jovialidade aos 71 anos além de um indestrutível senso de humor. Neste vídeo ele canta (e toca sax) em Florentine Pogen:







Foto: Rogério Naccache

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

De Earl a Paul (passado por Alceu), alguns dos melhores shows da minha vida


Eu fui um dos felizardos que participaram da celebração da música e da vida que foi o sensacional show de Paul McCartney no Allianz Parque. Estou ligado a esse cara há meio século. É tanta convivência que hoje ele é quase membro da minha família. Aquela noite debaixo de chuva me fez lembrar de outros grandes shows que assisti na minha vida.

O primeiro que eu me lembre aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo. Eu tinha uns 13 anos e era fanático por jazz. Assisti à apresentação de um pianista que ajudou a formatar a linguagem jazzística do piano: Earl "Fatha" Hines. Gostei tanto do cara que o primeiro disco que comprei na vida foi este:


Entre os brasileiros, ninguém me impressionou tanto no palco quanto Alceu Valença em 1976. Ele fazia uma música altamente instigante misturando a rica sonoridade de Pernambuco com rock e uma pose de Ian Anderson (do Jethro Tull). Fiquei muito impressionado e o disco que ele gravou desse show (Vivo!) é um dos meus favoritos da chamada MPB:


Aqui vai uma lista (de cabeça) de alguns dos shows que mais me impressionaram na vida:

1) Oscar Peterson Trio
2) James Brown
3) Devo
4) Gilberto Gil ("2222")
5) Ray Charles
6) Central Scrutinizer Band
7) Dread Zeppelin
8) Big Audio Dynamite
9) Buddy Guy
10) Emerson Lake & Palmer
11) Dave Brubeck
12) Eric Burdon
13) Kid Creole & Coconuts
14) Red Hot Chili Peppers
15) John Kay & Steppenwolf

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Decio Marquezi, 86 anos (menos 24)


Decio Marquezi, o bonitão aí de cima, tinha 19 anos quando tirou essa foto, em abril de 1949. Pouco menos de 4 anos depois ele viraria meu pai. Hoje estaria completando 86 anos se não tivesse partido numa tarde muito difícil (para nós) de 1990. Recebi dele de herança princípios sólidos, 0 exemplo de vida, o amor ao Palmeiras, o senso de humor, minhas bases musicais e o gosto por aparelhos eletrônicos. Parabéns, e obrigado por tudo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Uma imagem para sempre: The Living Daylights em quadrinhos


Certas imagens nos marcam para sempre. Este quadrinho de abertura de The Living Daylights aí em cima é o caso. A serie de tiras foi lançada em setembro de 1966 em Londres e alguns meses depois chegou aos jornais brasileiros.

Eu tinha então de 13 para 14 anos, estava descobrindo o mundo e já era fissurado por James Bond. Não conseguia tirar meus olhos desse quadrinho, desenhado pelo mestre russo/australiano Horak. Essa imagem concentrava a complexidade e a tensão explosiva do panorama político internacional. O conto The Living Daylights já era um dos textos mais sombrios, trágicos e surpreendentes escritos por Ian Fleming, o criador de Bond. Em tiras de quadrinhos (adaptadas pelo roteirista Jim Lawrence) Daylights ficou ainda melhor. A história seria aproveitada e daria o nome ao décimo quinto filme de James Bond estrelado por Timothy Dalton em 1987. Vi o filme, li o livro original. E até hoje prefiro os quadrinhos.

Estas são as quatro primeiras tiras de The Living Daylights. Clique nelas para ampliar.


A tira 1 mostra a técnica muito pessoal de Horak, misturando extremo realismo na paisagem com figuras humanas ligeiramente caricaturais. Tudo desenhado em alto contraste, preto no branco. No primeiro quadrinho um carro blindado soviético faz a sua ronda. Os inevitáveis holofotes vasculham tudo em busca de fugitivos. A legenda estabelece a situação: "O muro de Berlim... A sombria terra de ninguém da guerra fria... Armadilha mortal para incontáveis fugitivos de Berlim Oriental..." No segundo quadrinho, um passageiro entra num táxi no lado oriental. Saberemos depois que passageiro e motorista são dois agentes britânicos infiltrados no lado soviético. Klaus, o motorista, está espantado: "Meu Deus. Você é 272? A KGB inteira está atrás de você!". "Continue rodando", diz o agente 272. "Eu vou te mostrar exatamente onde eu pretendo cruzar o muro".


Na tira 2, Klaus, o motorista diz que é impossível atravessar o muro. O agente 272 diz que com o material que está transportando, não tem outra escolha. E por isso mesmo escolheu faz tempo o melhor ponto do muro para a fuga.



"Os pedregulhos e a vegetação alta nesse ponto vão esconder a minha aproximação", diz 272 na terceira tira no local escolhido. Seu plano é tentar a fuga em dias sem luar. Pede a Klaus que garanta um carro veloz esperando no lado ocidental. O tempo para a operação é muito curto: os holofotes iluminam o local a cada 30 segundos.


Na tira 4, Klaus insiste que o plano é uma loucura e pede a 272 que passe a informação num microfilme. 272 diz que a informação está em sua cabeça. E manda avisar a segurança britânica que ele vai tentar a fuga no período entre as próximas terça, quarta ou quinta-feiras. 272 parte. Vinte minutos depois, Klaus está no escritório do "Camarada Coronel" da KGB denunciando o plano de 272. E os leitores ficam sabendo então que Klaus é um agente duplo. James Bond só aparece na décima tira.