sábado, 3 de setembro de 2016

56 anos depois, achei o desenho em que o Pateta enlouquece no trânsito


Lá por 1960 eu tinha meus 7 anos de idade e passava boa parte dos meus dias assistindo TV. Nessa época para uma criança como eu o "horário nobre" era Disneylandia. O programa era apresentado pelo próprio Walt Disney e apresentava as produções de seu estúdio. Não havia nada mais bem produzido e cobiçado pela criançada dessa época.

Assisti dezenas de desenhos animados no Disneylandia. Mas nenhum foi mais marcante que Motor Car (aqui traduzido como Senhor Volante), produzido em 1960. O roteiro foi escrito por Dick Kinney e Milt Schaffer, a direção é de Jack Kinney. O desenho mostra o Pateta no papel de um cidadão pacato, incapaz de matar uma formiga. Mas que quando começa a dirigir seu carro se transforma num monstro assassino.


Eu nunca mais me esqueci desse episódio em particular. E, curiosamente nunca mais consegui assistir uma reprise nesses últimos 56 anos. Hoje eu o localizei no YouTube. Motor Car é uma obra prima, que reflete cada um de nós enlouquecidos pela barbárie do trânsito. Quando vendi meu carro, passei a ser muito mais feliz e saudável. Não há como esquecer esse incrível desenho como referência:

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A surpresa que veio de Havana

Uma das melhores coisas que aconteceram no último fim de semana foi conhecer o Ares. Seu nome verdadeiro é Arístides Esteban Hernández Guerrero, e ele foi um dos jurados do Salão de Humor de Piracicaba deste ano (do qual eu sou presidente).

A palavra "Cuba" está tão corrompida pela utilização política e ideológica, que eu não esperava muita coisa de Ares. Provavelmente um cartunista panfletário com pose de herói. Encontrei um sujeito que evita falar de política e transforma qualquer lugar por onde passa numa fonte de gargalhadas. Ares nasceu em Havana (onde ainda mora) em 1963 e se formou em psiquiatria. Mas tornou-se internacionalmente conhecido pelas sua arte.


Ares trabalha no limite entre o cartum e outras formas de arte, como a pintura, a colagem e a escultura. Mistura influências, observa o absurdo da vida, faz pensar. É, enfim, um artista de verdade. E um sujeito muito engraçado.






domingo, 21 de agosto de 2016

Salão de Piracicaba 2016: os premiados estão escolhidos


Este ano eu tive a honra de ser convidado para ser o presidente do Salão de Humor de Piracicaba. É um evento importância global em termos de humor gráfico. Neste último sábado o juri se reuniu para escolher os vencedores deste ano.  O Salão teve participação de candidatos de muitos países, especialmente da Europa e Ásia. A seção de caricaturas estava especialmente rica - um dos exemplos é esta acima, de Leonel Messi, por um autor sérvio.

Ainda não posso dizer quem foram os vencedores, que serão revelados em cerimônia pública no próximo sábado. Mas durante esta semana vou dar alguns detalhes do evento, que foi coberto assim pela imprensa local:






quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Eu e O Globo: de Obrigado Doutor a Intervalo


Meu espírito de historiador me levou a ter acesso a mais um valioso acervo: o do jornal O Globo. Por instinto, o primeiro assunto que eu pesquisei foi meu próprio nome. Esses foram alguns dos achados?

11 outubro 1981:

10 junho 1986:

23 maio 1993:

 13 outubro 1993:
 5 outubro 1997:

 10 agosto 2000: 

13 novembro 2004:

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

8.750 páginas e continuando


Amanhã vou dar uma Aula Prática de Roteiro para a Academia Draft. Preparando a aula, a gente acaba fazendo um certo balanço da vida profissional. Resolvi me pergutar: quantas páginas de roteiros eu já escrevi na vida? Acho que escrever roteiros foi a coisa que mais fiz na minha carreira, mais até do que matérias jornalísticas (que não foram poucas). Desde que meus pais me deram minha primeira Remington de Natal, nunca mais parei.

O cálculo é baseado em generalizações da memória e alguma lógica. Mesmo assim, a impressão que tenho é a de que me esqueci de muita coisa. Não tenho como calcular exatamente o número de páginas de roteiros que já escrevi para rádio (chutei umas 100), quadrinhos e fotonovelas (umas 150), roteiros para filmes (aproximadamente 1.500 páginas). Em novelas foram mais de duas mil páginas. Entre musicais e infantis para as redes Manchete, Globo e SBT são quase 5 mil páginas. Somando isso tudo dá um número muito aproximado, mas que serve como referência: 8.750 páginas.

Para mais detalhes para a aula na Academia Draft, clique aqui.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O fabuloso mundo dos acervos digitais: Propagandas Históricas


Quem tem espírito de historiador (e eu tenho), vivemos uma era de ouro. Fontes de pesquisa que antes eram impossíveis hoje chegam aos nossos computadores em acervos que se multiplicam pela internet. Minha única queixa é não ter o tempo suficiente para mergulhar nesses incríveis arquivos colocados à nossa disposição. 

Um desses acervos irresistíveis é o brasileiro Propagandas Históricas, onde está essa inacreditável propaganda do alto. Era um tempo (1935) em que o Papai Noel aparecia feliz fumando seu Lucky Strike, com seu exclusivo "processo contra irritação e a tosse". Outros exemplos desse acervo:


Chocolate Hershey - 1900


Pomada Minancora - Anos 1940

Cerveja Supimpa - 1928

Chapéus Ramenzoni - 1950

domingo, 17 de julho de 2016

Os Mano: a trilha sonora de um filme oculto chamado Carro de Paulista


Em 2010 eu fui roteirista de um telefilme chamado Carro de Paulista, dirigido por Ricardo Pinto e Silva. A historia dessa produção foi contada num blog que você pode acessar clicando aqui. O filme foi exibido três vezes pela TV Cultura e sumiu. Não existe em DVD ou BluRay, não está no YouTube, não está no Netflix. Como o filme foi muito bem recebido pelo público, é uma pena que não esteja acessível. Espero que a TV Cultura encontre uma saída para essa situação.

Sua música tema foi criada a partir da necessidade de caracterizar os quatro personagens principais: quatro jovens da periferia que passam uma noite de aventuras em bairros classe A de São Paulo. O estilo é puro funk old school. 

Ficha técnica:

Letra: Rogério Naccache e Dagomir Marquezi
Música: Tadeu Patolla, Roger Isla e Leonardo Giordano
Tema do telefilme Carro de Paulista (2010)
Com: Kleber, Tadeu Patolla, Leonardo Giordano, Roger Isla
Gravado em Caraguatatuba e São Paulo em 2010

A música:


A letra:

OS MANO
Tá ligado, a gente veio do Tatuapé / Tá ligado, do Itaquera, você sabe como é / Tá ligado nosso rumo é Zona Sul / Prá pegar as princesinha milionária do Pacaembú / Nós precisa de um carro, nós vamos pros Jardim / Na Vila Madalena eu sei que as mina tão a fim /  Mas se não tem carango eu não levo fé / Quem é que vai olhar prá um mané andando a pé?

Os mano - nós chega e tudo bem / Os mano - não sobra prá ninguém / Os mano – é, a gente se dá bem / As mina, as mina, as mina as mina /  É nóis / Nós é mano ro-ro-ro a gente é zona Leste

Todo mundo já sabe já tá mais do que provado / Prá ganhar mulhé tem que andar motorizado / Andar a pé não levo fé pendurado no busão / As mina não se liga em programa de peão / Saca só o visual, dá uma olhada no estilo / Todo tipo de mulher, burguesinha, bicho-grilo / Tem loura, morena, tem baixinha com peitão / É só você escolher e levar pro camburão


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Minha primeira galeria de GIFs


Aprendi a produzir GIFs no site GIPHY. É um processo simples e obviamente hipnotizante. A repetição de alguns poucos segundos de uma cena tem o poder de atrair nossos olhos por longos minutos. Acho que ninguém estudou ainda o que nos atrai nesse micro videos.

Esta é minha primeira "safra" de GIFs, editados a partir de vídeos disponíveis no YouTube. Acima, a inesquecível coreografia do ex-presidente da Rússia, Boris Yeltsin. 

 Patolino / Daffy Duck

Ben Stiller em Zooland

Um filme de Bollywood

Curly Howard / Os 3 Patetas

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Minha coleção de quadrinhos foi para as nuvens


Eu já fui um compulsivo colecionador de histórias em quadrinhos. Minha coleção de  revistas de HQ ocupava estantes e mais estantes, e só crescia. Até que eu tive que mudar para casas menores e vendi e doei quase tudo.

Hoje minha coleção voltou a crescer. E não ocupa espaço físico nenhum. Agora só leio quadrinhos em versão digital. Sou assinante do site Go-Comics e tenho acesso a tiras e páginas de quadrinhos, algumas novas (como a série Conjurers acima) e outras valiosíssimas peças clássicas da história do gênero. Como o pioneiro Yellow Kid, do fim do século 19:


Gosto também de séries muito tradicionais de tiras, como a série Lil'Abner, com início em 1935:


Ou Dick Tracy, que estreou em 1931 e é publicada até hoje:


Pela GoComics, tenho acesso a raridades como esta primeira tira de Peanuts, do dia 2 de outubro de 1950:


Entre as séries contemporâneas, dou boas risadas com a paródia de ficção científica Brewster Rockit:


Outra boa paródia (aqui, aos filmes de ação) eu encontro em Rip Haywire:


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Escada Para o Paraíso: a alegria de um novo livro


Para quem escreve, o lançamento de um novo livro representa um dia de felicidade única. Aquela montanha de frases, personagens, narrativas e pensamentos sai finalmente de nossa cabeça e se torna um produto que podemos dividir com quem quiser. Aconteceu na madrugada deste domingo, quando lancei meu quinto ebook pela Amazon/Kindle. E um livro em regime de auto-publicação é ainda mais satisfatório, pois cabe ao autor produzir cada etapa do trabalho - o texto, a revisão, a edição, a capa. É ser ao mesmo tempo pai e mãe do filho que vai nascer.

Escada Para o Paraíso é um livro policial satírico, narrado pelo herói Eurípedes Castro. Ele é um detetive da velha guarda que mora em São Paulo hoje, mas pensa que a vida é um velho filme noir. É um livro curto, como um daqueles pocket-books que os brasileiros liam tanto há décadas atrás. A capa foi produzida a partir de ilustrações de Lu Gomes. 

Este foi um domingo especialmente feliz. Foi um domingo de se lançar livro novo.

Para conhecer mais detalhes e comprar Escada Para o Paraíso, clique aqui.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Em memória de Raphael e Angelina


Eu tive muito mais contato com meus avós maternos (Gabriel e Consuelo) do que com os pais do meu pai, Raphael Marchesi e Angelina Massareli Marchesi. Durante minha infância eles moravam numa cidade do interior de São Paulo chamada São Manuel (entre Botucatu e Bauru). Eram duas pessoas muito simples, que passavam muita dificuldade, mas que criaram seus filhos com dignidade e princípios sólidos: Decio (meu pai), Carlito, Marlene, Roberto e Mingo (meus tios).

Dos cinco, só minha tia Marlene Dorini continua firme e forte, graças a Deus. Pedi a ela que contasse um pouco da história de Raphael e Angelina antes que esse registro se perca para as futuras gerações. A seguir, o relato escrito pela minha tia Marlene:


Raphael Marchesi - Nasceu em Marina de Ciró, Calabria, Itália. Nasceu em 07/maio/1899. Era filho de Domingos Marchesi e Seraphina Pinhataro. Chegou ao Brasil em 1900 onde seus pais seriam "cuidadores" de cafezal, na prática escravos brancos. Foi pai de cinco filhos: Decio, Domingos, José Carlos Alberto, Roberto Geraldo e Marlene. Sempre foi pequeno comerciante. Tinha má sorte nos negócios pois terceiros enriqueceram com suas idéias. Exemplos: torrefação de café, fábrica de molho de pimenta, corretor de terrenos, fábrica de doces populares, especialista em assoalhos (sinteko), fabricante de linguiça artesanal. Os últimos 30 anos trabalhou numa banca do Mercado Municipal. Tinha inicialmente uma banca de frutos nobres, banca de verduras e finalmente um pequeno bar onde vendia doces, salgados e pastéis (que Angelina preparava). Faleceu em 01/junho/1983.


Angelina Massarelli nasceu em 26 de novembro de 1906 numa fazenda chamada Nova Sorrento no municipio de São Manuel. Seus pais eram Massarelli Saveri e Amelia Pancardi.Como o seu pai era dono de fabricas de macarrão e sabão ela o ajudava como uma contadora sem habilitação). Na época as mulheres não estudavam e ela teve estudo até a quarta série do ensino fundamental. Foi costureira,trabalhou em fábrica de tecidos,ajudava meu pai na fábrica de doces,  fazia pastel e sonhos para vender nas escolas. Casou-se com Raphael em 03 de janeiro de 1925. Ficou grávida 11 vezes, mas  conseguiu criar apenas 5 dos filhos. Ficaram casados durante 58 anos. Ela viveu 92 anos, e ele, 83.

Marlene Dorini