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domingo, 19 de abril de 2015

Whiplash e todo esse jazz


Passei o dia com Whiplash - Em Busca da Perfeição na cabeça. Por várias razões. Primeiro por ser um pequeno grande filme, com excelente roteiro e direção de Damien Chazelle, um cara que mal completou 30 anos de idade e já tem estilo veterano. A dupla central de atores (Miles Teller e J K Simmons) gerou uma performance daquelas para ser revista muitas vezes. É o tipo de filme que se eu encontrar sendo reprisado na TV, não vou resistir a dar mais uma olhada.


Whiplash significa ainda mais para mim. O garotão Andrew me lembrou dos meus tempos de adolescente quando era um fanático por jazz. Os primeiros shows que assisti foram de Oscar Peterson, Earl Hines, Art Blakey e outros gênios que passaram por São Paulo no momento certo da minha vida.

Mas o filme mexeu comigo também por ter como centro das ações uma bateria. Eu já fui um baterista amador que começou no rock e se mudou para o funk. Mas em certos gêneros eu nunca me atrevi, pela extrema dificuldade técnica, muito acima das minhas possibilidades. O samba foi um deles. E tocar jazz sempre me pareceu uma tarefa impossível. Aquilo é complexo demais, e não é a toa que meu baterista de jazz favorito seja Ed Thigpen (ex-Oscar Peterson Trio). Justamente por ter simplificado a linguagem do instrumento para que até um leigo como eu pudesse entender mais ou menos como se faz.



Whiplash não trata de amadores, mas do topo da formação musical entre os profissionais do jazz dos EUA. O filme é terrível, difícil de ver. Fletcher é o professor dos infernos que eu (graças a Deus) nunca tive. E mesmo assim, daquela tensão explosiva entre professor e aluno acaba fluindo o melhor jazz.

Para quem ainda não assistiu. este é o trailer:

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O jornalismo está vivo para quem não morreu


Fui pego de surpresa ontem com cumprimentos de amigos pelo Dia do Jornalista. Eu tinha me esquecido dessa data. Agradeço (de novo) pela gentileza.

E como quase todos os dias li nas redes sociais posts de lamentação pelo "fim da profissão". Estamos numa crise, sim. Grandes empresas estão fechando revistas e jornais. Jornalistas estão sendo demitidos. Isso é o "fim"?  Só posso falar por mim; eu estou cada vez mais otimista.

Acho que estamos assistindo ao fim, sim, mas de uma fase do jornalismo. E ao começo de uma nova fase, que pode ser ainda melhor que a anterior. O que está chegando ao fim é o jornalismo envelhecido, dependente do papel, militante político, sem imaginação, de costas para o futuro. Mas as condições de produção de imprensa estão cada vez mais poderosas e acessíveis, por causa da digitalização. Alguns dos textos que eu escrevi a esse respeito estão no meu livro Alma Digital.

Boa parte da atual crise da imprensa brasileira é causada por medo e comodismo. Mas o futuro começa a cada minuto. O jornalismo, como tudo mais, espera a cada dia por uma reinvenção.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Google+: meio milhão de agradecimentos


Acabo de atingir a marca dos 500 mil seguidores no Google+. Não foi fácil, especialmente para quem não tem apoio de divulgação em outros meios como radio, TV, imprensa escrita, etc. Participo de muitas redes sociais, mas tenho especial carinho com meus seguidores no Google+. O clima lá costuma ser mais leve do que em outras redes.

E já que cheguei esse número mágico, tudo o que eu posso fazer é dedicar 500 mil agradecimentos, um para cada pessoa que me aceitou em seus círculos. E prometer que vou continuar oferecendo o melhor que puder em matéria de informação e entretenimento. Espero também que a Google reveja seus nebulosos e incertos planos com relação ao G+.  Nós, que gostamos dessa rede, esperamos que ela seja preservada.

Para seguir minha página no Google+, clique aqui.


terça-feira, 31 de março de 2015

Adeus, Mona

Foto: Lidice Ba

Eu tive um único encontro de verdade com a Mona. Foi nesse dia da foto em Campinas quando ela já estava bem velhinha e só tinha amor para dar e receber. Adeus Mona, descanse em paz.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Jorge Loredo (1925-2015) e eu


Eu sou fã desde criancinha (literalmente) de Jorge Loredo. E grato a ele, como sou grato a todos os que me fizeram rir na vida. Eu parava tudo - e ainda paro - cada vez que vejo na TV a figura de Zé Bonitinho entrando em cena com seu mega topete, óculos escuros gigantes e ternos amalucados, penteando as sobrancelhas com seu gigapente.

No dia 2 de fevereiro de 1999 tive a felicidade de conhecer o grande Jorge Loredo pessoalmente num hotel do centro de São Paulo para uma entrevista que seria publicada na revista VIP. Ao contrário do seu personagem, Loredo era um homem culto, advogado de estilo. Ele me contou detalhes de sua vida mas eu estava especialmente interessado na criação de Zé Bonitinho. Entre outras coisas ele me revelou a origem de um de seus bordões mais famosos. Foi durante um programa ao vivo na rede Tupi, transmitido com duas câmeras. Uma delas quebrou, o diretor ficou meio perdido. Jorge não teve dúvida: apontou para a que ainda funcionava e ordenou: "camera, close!". E nunca mais deixaria de dizer isso ao se despedir de cena.

Jorge Loredo merece o melhor dos descansos. De onde estiver, ouvirei para sempre um tostão de sua voz cantando: "If I had a thousand women, uauau... uauau..."


PS: quem quiser conhecer a vida de Jorge Loredo pode baixar gratuitamente sua biografia em PDF clicando neste link.

Memórias do Cine Vila RIca

 

Ontem na saída de uma reunião de trabalho fiz uma viagem no tempo. Passei pelas ruas onde passei alguns dos melhores anos da minha vida, na passagem da infância para a adolescência. Eu vivi nessa época no bairro do Itaim-Bibi, em São Paulo. Morava a uma quadra da avenida Santo Amaro. Numa época de grandes descobertas eu tinha 4 cinemas perto de mim na avenida: Radar, Vila Rica, Graúna e Guarujá.

A construção acima foi o que restou do saudoso Vila Rica, com sua platéia em dois andares. O cinema fechou e o prédio foi aproveitado para alguma outra função, que também já não funciona mais. Meu momento mais marcante no Vila Rica aconteceu sendo durante a exibição do flme A Corrida do Século (The Great Race, 1965).

Foi uma tarde de pura diversão com Tony Curtis e Jack Lemmon. O cinema estava lotado curtindo o melhor que Hollywood podia oferecer em 1965, Numa das cenas, a lindíssima atriz Natalie Wood caía num laguinho. A roupa molhada fazia os seios de Natalie serem exibidos no limite do seu corpete.

Numa época quando o sexo era muito, muito discreto, aquela visão deixou a platéia em absoluto silêncio. De repente em algum canto escuro do Vila Rica um garoto comentou sem medir o volume da voz: "Urra meu, que teta!" O cinema veio abaixo com as gargalhadas.

Conforme o tempo passa, certas lembranças ficam cada vez mais firmes na minha memória afetiva. A plateia do Vila Rica é um exemplo disso.

sexta-feira, 20 de março de 2015

30 anos depois, o retorno da turma da Homem




A Editora Três foi um dos melhores lugares do mundo para se trabalhar na década de 1980. Sob o comando de Leonel Prata e Osmar Mendes Junior, ali era o reino da alegria. Eu escrevi folhetins, reportagens e ajudei a produzir fotonovelas numa farra contante, onde não se perdia o senso de profissionalismo. 

Ontem parte dessa turma se reuniu num bar da Vila Madalena, em São Paulo. O resultado foi constatar que o clima continua o mesmo. Alguém sugeriu no final o retorno da saudosa revista Homem em versão digital. Eu apoiei na mesma hora, mesmo sabendo que era um sonho.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Um dia na vida: São Paulo, 2 de dezembro de 2006


O que é ser um repórter gonzo? É virar personagem da sua própria reportagem. E eventualmente encarar um ridículo em nome do jornalismo. Neste domingo, 2 de dezembro de 2006 eu me vesti como Elvis Presley em fim de carreira. E me tornei o Pastelvis. De peruca, óculos escuros e uma roupa inspirada na fase Las Vegas do grande ídolo, fui até um grande festival brasileiro de fanáticos por Elvis. Como esse cara ao meu lado, Luiz Gustavo Oliveira, um dentista de Teresina que viajou até São Paulo só por causa do festival. Eu me diverti muito, mas a matéria (para a Playboy) não teve a repercussão de outras reportagens gonzo. Uma pena. O texto foi todo montado com referências e citações da músicas de Elvis.

Adorei meu dia de Elvis. Distribuí muitos autógrafos sem desentortar a boca. 



A capa da edição, com chamada da matéria.

domingo, 15 de março de 2015

Cabeça erguida


Eu estava nas passeatas contra o regime militar. Eu estava nas manifestações pelas diretas-já. Eu estava hoje na Avenida Paulista.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A cidade que eu quero


Outro dia postei no Facebook duas fotos de edifícios recentemente erguidos aqui no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. Destaquei a feiura deles. Foi a minha opinião, claro. A maioria dos comentários concordava comigo. Vários outros disseram que gostaram desses estilos, por representarem uma tendencia contemporânea de estética arquitetônica. Esses são os prédios:

 

O edifício está atrás do estacionamento. É esse paredão quadriculado ao fundo numa colagem de cores foscas. Alguns dos retângulos são janelas.


Este outro procura ser "conceitual", tendo como inspiração a estética (e o próprio material) de contêineres empilhados num cais de porto. Eu pessoalmente achei dois horrores, feios ao extremo, mas reconheço que beleza é um conceito relativo. Ninguém é obrigado a concordar comigo.

Mas o que temos nessas duas construções vai além da questão estética. Numa época de crise hídrica e energética, as cidades precisam ser cada vez mais verdes. Esse é o conceito que se espalha nos países mais avançados: edifícios cobertos de plantações e com grandes janelas para aproveitar ao máximo a luz do sol e resfriar o ambiente sem depender do ar condicionado. Além de realizar coleta e reaproveitamento da água da chuva.


Hoje mesmo li que em Copenhague, a capital da Dinamarca, todas as contruções terão de ter cobertura vegetal em seus tetos. Segue o caminho de Toronto, no Canadá. Muitas outras se seguirão. Enquanto isso São Paulo (e no Brasil) vamos continuar construindo caixotes porque são "modernos"?

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um barco navega pela minha memória afetiva



A memória afetiva é uma das nossas instituições pessoais mais sólidas. Certas marcas ficam lá, impressas a ferro e se negam ao esquecimento. O filme Cidadão Kane sintetizou isso perfeitamente com a imagem do trenó Rosebud. Existem cenas, sons, cheiros que nos remetem à proteção da infância, aos pequenos prazeres que mudaram nossas vidas, etc.

Outro dia tive uma reunião de trabalho na editora Bamboo e na estante estava esse livro acima. Minha memória deu um salto de meio século para trás e lá estava eu na sala com esse livro na mão, esperando minha mãe fazer o jantar. Ele pertencia a uma coleção chamada O Mundo da Criança. Eram livros temáticos, escritos nos EUA com complementações brasileiras. Nunca pedi uma bicicleta para meus pais, mas era capaz de cair de joelhos no tapete da sala implorando por uma nova coleção de livros. E eles sempre davam um jeito. Eu devorei Conhecer, Grandes Vocações, Curiosidades e o que viesse. 

Embaixo, a página de abertura da coleção, outro patrimônio visual indestrutível da minha memória afetiva.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

New Yorker: 90 anos depois


A revista The New Yorker comemorou o 90o. aniversário de uma clássica capa com inteligência e classe. A capa acima, de 1925, criou o "dandy" que se tornou o símbolo da revista. Noventa anos depois, com a inflação, o preço passou de 15 centavos para 7,99 dólares. E todos os elementos da capa original foram transformados em sinais dos novos tempos. Incluindo o modo de ver a borboleta.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Beco do Grafite: o sempre surpreendente universo da Street Art


Eu moro na Vila Madalena, o bairro de São Paulo mais rico em Street Art (ou arte de rua). Faz tempo que eu admiro essas explosões de cores nos muros e paredes de uma cidade tão maltratada. Por causa de uma encomenda da revista VIP acabei conhecendo pessoalmente um dos nomes mais importantes do mundo na street art: Eduardo Kobra.

As obras reproduzidas neste post não são do Kobra, mas de outros artistas que transformaram o Beco do Grafite numa galeria aberta. O Beco, também conhecido como "do Batman", é hoje uma das mais surpreendentes atrações turísticas e artísticas de São Paulo. Para conhecer o Beco do Grafite em 360 graus, clique neste link.





quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Um dia na vida: São Paulo, 11 de abril de 1987

Foto: Juvenal Pereira / O Estado de São Paulo

Em 1987 eu era um dos editores do Caderno 2, a sessão cultural do jornal O Estado de São Paulo. No meio do caminho comecei a escrever uma coluna chamada Recado Ecológico. Logo na segunda semana escrevi um texto explicando porque eu defendia o fim da caça à baleia no litoral do Brasil. A coluna teve uma repercussão imensa e se tornou viral muito antes da existência da internet. Nesse dia 11 de abril eu estiquei no corredor que separava as redações do Estado e do Jornal da Tarde a montanha de abaixo-assinados que havia chegado de todo o Brasil. Alguns dias depois dessa foto eu coloquei esses 15 quilos de documentos em defesa das baleias numa sacola que levei ao presidente do Senado em Brasília. Mas esse foi outro dia na vida.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Eduardo Marafanti (*1952 +2014)


Eduardo Marafanti era uma usina de alegria. Sou amigo dele desde 1964, quando entramos no primeiro ano do então Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha. O Marafa era um sujeito inabalável, dono de um bom humor contagiante, bon vivant, gozador do lado ridículo da vida. Foi um exemplo nacional de força de vontade quando descobriu que tinha um tipo raro de leucemia e se tornou voluntário num novo tipo de tratamento nos Estados Unidos. Este foi o emocionado depoimento que ele deu  a respeito no programa do Jô Soares em 2009:


Como disse sua mulher, Malena, o Eduardo lutou 3 vezes com a leucemia até que ela desistiu dele. Infelizmente ocorreram outros problemas e esse grande homem faleceu na semana passada por complicações decorrentes de diabetes. 

Boa viagem, Tovarich. Espero te encontrar um dia desses para, como sempre, dar boas risadas e constatar que a vida pode ser leve.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O mundo em 360 graus


Tenho tirado fotos como nunca tirei antes, mostrando o mundo - literalmente - ao meu redor. Para isso, uso um aplicativo gratuito no meu celular. O aplicativo faz tudo praticamente sozinho, o usuário só precisa seguir as instruções para enquadrar corretamente. Imagens em 360 graus distorcem nossa percepção do mundo. Essa foto de cima eu tirei no terreno atrás do MASP, o Museu de Arte de São Paulo na avenida Paulista. A cidade fica cheia de curvas que não existem na realidade.

Você pode ver essas imagens se moverem ao seu redor de forma mais realista (e meio vertiginosa ) no meu perfil do Google+. (Basta clicar no símbolo de "panorama" no meio de cada foto). Como esta de baixo, registrada no Shopping Eldorado. Que tem uma atração extra: a presença de "fantasmas", pessoas duplicadas como se fossem clones de si mesmas passeando no shopping. Clique nas fotos para ampliar: